Título: Para CNI, produção não está sob pressão
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/03/2010, Economia, p. B4

Índice que mede a capacidade da indústria ficou estável em fevereiro

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que mede quanto da capacidade de produção das indústrias está em uso, ficou em 81,4% em janeiro, indicando estabilidade em relação aos 81,5% de dezembro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os dados indicam que, do ponto de vista da atividade industrial, não há pressão sobre a produção e, portanto, também não há razão para que o Banco Central aumente os juros, ao contrário das previsões que vêm sendo feitas no mercado financeiro.

"Não teremos problemas para atender à demanda doméstica em 2010 e a pressão da inflação não vem da indústria", disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Em janeiro do ano passado, quando a indústria sentia com mais firmeza os efeitos negativos da crise global, o Nuci estava em 77,8%. Antes da crise, o indicador chegou a 83,7%.

Para Castelo Branco, uma eventual alta da taxa Selic "teria efeito amortecedor no ritmo de crescimento" e na atividade industrial, que vem se recuperando gradualmente. Em janeiro, o faturamento real da indústria cresceu 7,7% ante mesmo mês do ano passado, quando os efeitos negativos da crise global eram maiores. Em relação a dezembro de 2009, porém, a CNI registrou queda de 3,6% no faturamento das empresas, na série com ajuste sazonal.

No documento em que apresenta os indicadores industriais, a CNI ressalta que, apesar da queda nos indicadores de faturamento, outros índices, como as horas trabalhadas e o emprego, continuam crescendo e apontam a continuidade da recuperação da indústria.

As horas trabalhadas cresceram 3,8% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado, e 0,6% na série dessazonalizada, na comparação com dezembro de 2009. O emprego subiu 1% em janeiro, ante mesmo mês de 2009, e 2% na comparação com dezembro de 2009, com ajuste sazonal.

Apesar da recuperação de alguns dos principais indicadores da atividade da indústria, Castelo Branco ressaltou que o parque fabril brasileiro ainda não atingiu o mesmo ritmo de antes do estouro da crise econômica, em setembro de 2008. "Mas acreditamos que o faturamento das indústrias passará o nível pré-crise ainda no primeiro semestre de 2010."

Em relação a outros índices, mais ligados ao emprego (horas trabalhadas, emprego e massa salarial), o economista acredita que a recuperação para um nível equivalente ao de antes do pico da crise só será atingida no segundo semestre.