Título: Lula cobra oposição por ampliar gastos do Bolsa-Família
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/03/2010, Nacional, p. A7
Presidente pede que parlamentares não exagerem nas promessas nem promovam "farra do boi" no ano eleitoral
Depois de aumentar em mais de 100 mil o número de funcionários e inchar a máquina, com elevação dos gastos públicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "apelou" ontem aos parlamentares para que não exagerem nas promessas em ano eleitoral nem promovam uma "farra do boi", alegando que a gastança pode desequilibrar as contas públicas. Ele ironizou a proposta do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que prevê pagamento de Bolsa-Família a crianças com boas notas na escola.
"Não é porque estamos em época eleitoral que vai se praticar a farra do boi nesse país. Não podem achar que banalizando decisões as pessoas ganham voto", declarou Lula, em entrevista após inaugurar o Portal Brasil, no CCBB, atual sede do governo.
"Não dá para as pessoas imaginarem que, porque é ano eleitoral, pode comprometer mundos e fundos da sociedade", afirmou Lula, ao ser questionado se poderia vetar a proposta aprovado no Congresso, na semana passada, que destina 5% dos recursos do Fundo Social para reajuste dos aposentados.
Lula criticou a ampliação de gastos do Bolsa-Família, que foi proposta por Tasso e criticada pela líder governista, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), no dia anterior. "A ideia pode ser boa de você criar um instrumento de incentivo, dar a mais para que as crianças estudem. Só espero que tenham colocado também de onde vai tirar o dinheiro, porque todo o gasto proposto tem que ter uma fonte de receita."
Lula ainda reclamou da oposição por ter derrubado a CPMF que financiava a saúde. Segundo ele, foi gesto de "mesquinharia".
FOGO AMIGO
Além do PT e de Lula, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia ? um dos principais expoentes do DEM, principal aliado dos tucanos nas eleições ? atacou ontem o projeto de Tasso, já aprovado na Comissão de Educação do Senado. Ele apontou equívocos conceituais à iniciativa e afirmou que a proposta não ajuda o candidato tucano.
"Incluir isso no Bolsa-Família é confundir assistência social com educação. E ainda criar insegurança em relação ao programa", afirmou.As críticas foram distribuídas em seu ex-blog ? uma espécie de boletim eletrônico.
Presidente nacional do DEM e filho de Maia, o deputado Rodrigo Maia (RJ) afirmou que as críticas se concentram no aspecto técnico do projeto e garantiu que a relação do partido com os tucanos é boa. "Estamos juntos. Não tem ruído."
Na reta final de seu terceiro mandato no Rio, Maia editou decreto que estabelecia gratificação em dinheiro a alunos da rede municipal que tivessem bom desempenho. Os prêmios poderiam chegar a R$ 4,5 mil para quem obtivesse conceito "muito bom". A atual administração substituiu a premiação em dinheiro por netbooks.
COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA