Título: Réplica de 6 graus leva pânico à costa sul do Chile
Autor: Palacios, Ariel
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/03/2010, Internacional, p. A20

Santiago e Valparaíso também sentiram novos abalos; sobreviventes temem novo tsunami

Quatro dias depois do terremoto de 8,8 graus na escala Richter, que deixou 802 mortos no Chile, novos tremores, de até 6 graus, levaram pânico durante o dia de ontem a Santiago e a diversas cidades das regiões central e centro-sul do país, onde moradores fugiram para as montanhas, temendo que um novo tsunami varresse as praias e portos, como ocorrera no sábado. À noite, um tremor de 6,1 graus ocorreu 39 quilômetros a sudoeste de Valparaíso.

A polícia chilena alertou para a possibilidade de novas ondas gigantes nos balneários de Dichato, Constitución e Talcahuano, mas retirou o alerta logo em seguida. Como o sistema de detecção de maremotos da Marinha chilena falhou no desastre de sábado, muitos sobreviventes ignoraram os pedidos de calma feitos pelos a policiais e continuaram abrigados nas zonas mais altas, atentos ao movimento da maré.

Centenas de carros que circulavam por Concepción no momento da réplica mudaram bruscamente de direção, buscando os acessos que levam a parte alta da cidade. Enormes congestionamentos se formaram nas saídas do porto.

Os irmãos Sergio e Claudia González estavam entre a pequena multidão que se aglomerou num morro de aproximadamente 30 metros, a três quadras da praia, em Dichato. Os dois irmãos moram em Santiago, mas viajaram ao sul do país para procurar por seus parentes, quando foram surpreendidos pela réplica de ontem. Sergio, que havia ido a Concepción ? capital da Região de Biobío ?, teve dificuldades para voltar a Dichato porque a polícia fechou todos os acessos à cidade.

Ontem, os moradores da região começaram a receber os primeiros carregamentos de ajuda alimentar enviados pelo governo chileno. Pelo menos 13 mil pessoas puderam levar caixas com leite, peixes, macarrão, açúcar e molho de tomate.

Militares do Exército acompanharam a distribuição de alimentos e a reabertura de alguns supermercados que haviam sofrido saques nos primeiros dias após o terremoto.

Em Constitución ? onde foram registradas quase metade das mortes ? ainda "há muitos cadáveres inchados e mutilados" boiando sobre as águas, disse um militar que identificou-se apenas como tenente Gutiérrez. O estado de decomposição dificulta e identificação dos corpos, contribuindo para que muitos nomes ainda permaneçam na lista de desaparecidos.

A presidente Michelle Bachelet disse ontem que o número de mortos deve subir nos próximos dias e rebateu as críticas de que seu governo demorou em reagir às consequências do desastre e não alertou sobre o perigo de tsunami.

O chefe da Marinha, almirante Edmundo González, admitiu ontem ter entregado informações "pouco claras" a Bachelet quando consultado sobre o risco de tsunamis na costa sul, sábado. COMENTÁRIOS