Título: Comparada a masmorra, cela tem ar-condicionado
Autor: Colon, Leandro ; Pires, Carol
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2010, Nacional, p. A4

Ar-condicionado, frigobar, cadeira acolchoada, beliche, sofá, mesa de despacho. Esses são alguns itens da cela em que está preso José Roberto Arruda. A sala foi comparada a uma "masmorra" e descrita como desumana pelo advogado de defesa Nélio Machado.

As condições da prisão, contudo, não são propriamente medievais, como insinuou o advogado no julgamento no STF. O ambiente tem iluminação natural e basculantes amplos, conforme descrição enviada ao Ministério Público pela PF. Arruda tem também direito a banho de sol, o que faz diariamente no fim da tarde, no pátio interno do prédio. Ao contrário de presos comuns, ele é examinado pelo menos uma vez ao dia por médicos da corporação.

O espaço tem 16,8 metros quadrados, bem maior que uma cela comum. E é exclusivo, ao contrário das delegacias, onde são amontoados vários detentos numa mesma cela. Os advogados de Arruda têm acesso ao cliente a qualquer hora. A mulher e os familiares cadastrados podem visitá-lo das 8 da manhã às 19 horas. Ele só não teve encontro íntimo porque não pediu até agora.

O maior inconveniente é o banheiro, que, embora privativo, fica fora da sala, a alguns metros. Cada vez que precisa usá-lo, Arruda tem de pedir licença ao policial de guarda. Esse foi um dos pontos em que o advogado se prendeu para condenar as condições do cárcere.

A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, defendeu a manutenção da prisão nas atuais condições. Para se certificar de que elas atendem ao requisito de dignidade, foram anexados aos autos do inquérito sobre corrupção no DF as fotos do ambiente e a descrição enviada pela PF.