Título: Partido diz que prévias são inoportunas, mas petistas insistem
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2010, Nacional, p. A7
A cúpula do PT considera "inconvenientes" e "politicamente inoportunas" as prévias para a escolha de candidatos aos governos e ao Senado. Em reunião realizada ontem, o Diretório Nacional petista decidiu recomendar às seções estaduais que evitem prévias para cargos majoritários por avaliar que a disputa interna, neste momento, causa desgaste à campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Apesar da recomendação, antecipada pelo Estado, o comando do PT não conseguiu proibir as prévias no papel. O tradicional mecanismo de escolha de candidatos, com voto dos filiados, está previsto no artigo 135 do estatuto petista e a proposta de passar por cima da "lei" causou polêmica.
Agora, ao que tudo indica, a decisão do diretório vai virar letra morta. "Já vi que teremos prévias constrangidas", resumiu o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva, ele próprio de olho em uma vaga ao Senado. Na prática, as principais disputas estão previstas entre pré-candidatos ao Senado no Rio, em Pernambuco e no Mato Grosso. Mas há também embates à vista entre os postulantes aos governos de Minas Gerais e do Distrito Federal.
"O melhor caminho para resolver o impasse é a prévia", afirmou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. "Mas queremos disputa elevada, com ânimos distensionados e o compromisso de que quem ganhar leva", emendou.
Patrus deseja concorrer à sucessão do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), mas o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) também quer entrar na corrida. "Não vou retirar a pré-candidatura", avisou Pimentel. O problema não para aí: o PMDB - aliado de Dilma - reivindica a vaga para o ministro das Comunicações, Hélio Costa.
No Rio, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, disse que tentará marcar o duelo com Benedita da Silva, secretária de Ação Social, para o dia 28. "O constrangimento no Rio tem de ser rápido porque a Lei Eleitoral exige que eu deixe o cargo até 2 de abril", provocou.