Título: Indústria vai investir US$ 271 bilhões
Autor: Rodrigues, Alexandre
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2010, Economia, p. B4

Previsão é do BNDES para os próximos quatro anos; exploração de petróleo e gás deve liderar os investimentos

Impulsionada pelas reservas do pré-sal, a exploração de petróleo e gás vai liderar o investimento da indústria nos próximos quatro anos, que deve somar US$ 271 bilhões (cerca de R$ 487 bilhões). A projeção é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está concluindo um mapeamento dos investimentos nos sete principais setores industriais até 2013. Na comparação com o período de 2005 a 2008, isso representa crescimento de quase 42% no volume de recursos aplicados na indústria. O ano de 2009 ficou fora do trabalho porque ainda não tem dados consolidados.

Mais de 60% dos investimentos virão de petróleo e gás, responsável por US$ 171 bilhões até 2013, pela estimativa do banco. A Petrobrás, em seu planejamento estratégico prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões de 2009 a 2013.

Outro setor da cadeia do petróleo que contribuirá muito para a expansão da indústria é o petroquímico. Sob o impacto da união Braskem-Quattor, o setor vai mais do que triplicar os investimentos em relação aos US$ 5 bilhões do período 2005-2008. Segundo o BNDES, serão aplicados US$ 17 bilhões na petroquímica até 2013, um aumento de 240% em relação ao outro quadriênio. Entre os projetos em curso, estão o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e o Polo Petroquímico de Suape, em Pernambuco, que devem consumir US$ 8,4 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente.

Enquanto o petróleo aparece como líder da escalada do investimento, os setores exportadores de commodities revelam mais dificuldade. Mesmo com os planos de investimentos da Vale, que ontem formalizou a intenção de aplicar R$ 9,6 bilhões em Minas Gerais, o BNDES projeta queda de 13,8% nos investimentos em mineração.

O banco contabiliza US$ 25 bilhões para os próximos quatro anos, mas o setor recebeu US$ 29 bilhões entre 2005 e 2008. Para o setor de papel e celulose, o cenário é um pouco melhor: crescimento zero, mantendo o nível de investimento em US$ 10 bilhões.

"Os exportadores sofreram muito com a queda da demanda mundial durante a crise. Isso cria uma dificuldade adicional para as empresas, mas não significa que elas não poderão lançar novos projetos até lá. Esses números são um retrato das expectativas neste momento", explica o gerente da área de pesquisa e acompanhamento econômico do BNDES, Gilberto Rodrigues Borça Júnior.

As projeções constaram da apresentação feita esta semana pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a uma plateia de investidores em Londres. Segundo o gerente do BNDES, os números confirmam outro estudo recente do banco, que apontou uma mudança no motor da economia brasileira na retomada do crescimento após a crise.

Para o banco, os setores que impulsionarão o investimento a partir de agora serão os voltados para o mercado interno. Nesse sentido, a projeção do BNDES aponta um crescimento de 41,6% nos investimentos do setor de automóveis, que deve somar US$ 17 bilhões até 2013, e de 50% no de produtos eletrônicos, que deve consumir US$ 12 bilhões em quatro anos.

Na indústria de transformação, a retomada do nível de produção na siderurgia desencadeou novos planos de expansão, inclusive com os projetos de novas usinas. Isso deve levar a um aumento de 33% nos investimentos do setor, subindo dos US$ 15 bilhões do período 2005-2008 para US$ 20 bilhões nos próximos quatro anos.

Segundo Borça Jr., os dados ainda são preliminares e deverão sofrer ajustes para a conclusão, nos próximos dias, do mapeamento anual que o banco faz das perspectivas de investimentos na economia. Há duas semanas, o BNDES divulgou o trabalho relativo à infraestrutura, que deve consumir US$ 152 bilhões (cerca de R$ 274 bilhões) até 2013, puxada por energia elétrica e telecomunicações, com crescimento de 36,9%. Os trabalhos têm como base as informações que os departamentos setoriais do banco recebem das empresas, contemplando também os projetos que não são financiados pelo banco.