Título: Fazenda não vê motivo para alta dos juros
Autor: Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/03/2010, Economia, p. B5

Àsvésperas da reunião do Copom, boletim do Ministério da Fazenda afirmaque País cresce de forma ""sustentável"" e ""sem pressõesinflacionárias""

A economia cresce em ritmo acelerado, mas "sustentável", sem sinais deinflação por excesso de demanda e com o Índice de Preços ao ConsumidorAmplo (IPCA) devendo fechar 2010 "próximo de 4,5%". Esse é o cenárioconsiderado pelo Ministério da Fazenda na edição de fevereiro doboletim "Economia Brasileira em Perspectiva". O documento repetediversas vezes que o crescimento do País ocorre "sem pressõesinflacionárias" - um recado endereçado ao Banco Central de que não énecessário subir a taxa básica de juros (Selic) na semana que vem,quando o Comitê de Política Monetária (Copom) tem uma nova reunião.

AFazenda ressalta que, sem o item educação, que tradicionalmente sobe noinício do ano, o IPCA de fevereiro teria tido alta de 0,46% e não de0,78%, como ocorreu. "O primeiro bimestre de 2010 foi fortementeimpactado por pressões inflacionárias advindas de reajustes emeducação, açúcar e álcool, tarifas públicas e alimentos in natura", dizo texto. "Apesar das expectativas de mercado, esperamos IPCA anualpróximo a 4,5%." Em sua análise, o ministério de Guido Mantega afirmaque a recuperação da crise se dá no formato de V, ou seja, uma quedaseguida de rápida retomada, demonstrando a capacidade de absorção dechoques na economia brasileira. Ainda nesse capítulo, o texto trazanálises setoriais evidenciando que os investimentos estão serecuperando de "forma robusta", devem crescer 16,1% neste ano (o maiordos últimos anos) e terão participação cada vez maior no crescimento.

AFazenda ressalta que a demanda doméstica segue puxando a expansãobrasileira e deve crescer 7,3% este ano. "É um nível de crescimentocompatível com a capacidade instalada de produção", diz o texto, quemostra gráfico destacando que o nível de utilização da capacidadeinstalada na indústria (Nuci) ainda está quase 3 pontos porcentuaisabaixo do auge de 86,7% atingido em meados de 2008, no pico daatividade econômica brasileira.

Ao mencionar a capacidadeprodutiva do País, os técnicos de Mantega destacam análise da FundaçãoGetúlio Vargas de que o crescimento recente no uso da capacidadeinstalada está concentrado no setor de bens de capital (ou seja, porconta dos investimentos), enquanto bens de consumo e intermediáriostiveram recuo. A Fazenda também menciona dados da Federação dasIndústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que dizem que a capacidadeprodutiva cresceu 10% em 2009 e terá expansão de 15% em 2010.