Título: Polarização perde espaço nos Estados
Autor: Bramatti, Daniel
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/03/2010, Nacional, p. A12
PT e PSDB abrem mão de candidaturas próprias em busca do apoio de aliados para fortalecer palanque de Dilma e Serra Nacontramão da polarização nacional entre PSDB e PT, em pelo menos cincoEstados nenhum dos dois partidos será protagonista na eleição paragovernador. Na maioria dos casos, petistas e tucanos estão fora dadisputa local para facilitar acordos em torno das candidaturas daministra Dilma Rousseff (PT) e do governador José Serra (PSDB) àPresidência da República.
PT e PSDB não terão candidatos aos governos do Rio de Janeiro, dePernambuco, do Rio Grande do Norte, do Maranhão e do Amazonas. NessesEstados, os partidos mais competitivos são PMDB, DEM, PV, PSB, PC do B,PDT e PMN. Na Paraíba, o PSDB está dividido entre a coligação com o PSBe a candidatura própria. O senador tucano Cícero Lucena lançou-secandidato contra socialistas e peemedebistas, mas sofre pressão departe da legenda para desistir.
Reportagem do Estado publicada no início do mês mostrou que oconfronto direto entre petistas e tucanos deverá acontecer em apenasdez dos 26 Estados. Em São Paulo, a candidatura petista ao governo sóavançou nos últimos dias, depois que o deputado Ciro Gomes (PSB), quepretende disputar a Presidência, mas era uma opção ao governo paulista,criticou o PT estadual e acabou dando força à pré-candidatura dosenador Aloizio Mercadante.
"PT e PSDB nasceram em São Paulo e lá essa oposição tem sereproduzido muito. São fortes em São Paulo, mas já não têm essaimportância em outros Estados, que têm características próprias. Omodelo de São Paulo não se reproduz no resto do País", diz opré-candidato do PV ao governo do Rio, deputado Fernando Gabeira. Oparlamentar, que apoia a senadora Marina Silva para a Presidência, vaidisputar aliado ao PSDB, ao DEM e ao PPS. Enfrentará o governadorSérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição.
Aliado. No Rio, o PT só abandonou a possibilidade de lançarcandidatura própria depois que a ala contrária à ideia venceu a eleiçãopara o comando estadual do partido. Antes disso, o prefeito de NovaIguaçu, Lindberg Farias, insistia na disputa com Cabral. Agora, éaliado do governador. Um terceiro candidato ao governo fluminense é oex-governador Anthony Garotinho (PR).
No Maranhão, o PT também não terá candidato próprio, mas ainda nãoformalizou o apoio à reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB),defendido pela direção nacional do partido como parte da estratégiapara fortalecer a aliança entre petistas e peemedebistas na sucessãopresidencial. Já o PSDB negocia o apoio ao PDT do ex-governador JacksonLago, apesar de, no plano nacional, os pedetistas apoiarem a ministraDilma. Em troca, Lago ofereceria seu palanque ao tucano José Serra.
Outro pré-candidato na eleição maranhense é o deputado Flávio Dino(PC do B). "Até pelo tamanho do País, o jogo é multifacetado. As forçasdominantes fazem concessões para formar a aliança nacional. É muitocomplicado PT e PSDB transferirem a disputa (presidencial) para osEstados. Só se houvesse verticalização", afirma Dino, referindo-se àregra que obrigava os Estados a reproduzirem as alianças nacionais, masque teve vida curta.
Em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, Estados governados pelo PSB,o PT manterá o apoio aos socialistas, apesar de alguns grupos petistasterem tentado o lançamento de candidatura própria, em retaliação àinsistência de Ciro Gomes em disputar a Presidência da República. "O PTsó tem um lado nesse Estado", disse, na semana passada, o presidente dopartido no Rio Grande do Norte, Eraldo Paiva. Lá, os petistas estarãocom o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), que enfrentará oDEM da senadora Rosalba Ciarlini e o PDT do ex-prefeito Carlos EduardoAlves.
Em Pernambuco, a aliança do PT é com o governador Eduardo Campos(PSB) e a oposição trabalha para lançar o ex-governador JarbasVasconcelos (PMDB), em aliança com o PSDB e o DEM.
O pequeno PMN disputa, com chance de vitória, o governo do Amazonas,com o vice-governador Omar Aziz. Os outros partidos na disputa deverãoser o PR do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e o PSB doex-prefeito Serafim Corrêa. O PT ainda não definiu a aliança no Estadoe o PSDB deverá se aliar aos socialistas.