Título: O Caps é um modelo excelente para quadros severos
Autor: Leite, Fabiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/03/2010, Vida, p. A16
Coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde
O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, disse que avaliações são positivas e que analisará os dados do Cremesp. Mas reafirmou o sucesso dos Caps. "O Caps é um modelo excelente para quadros severos."
Qual sua avaliação sobre a pesquisa do Cremesp?
Primeiro, precisamos conhecê-la melhor. Segundo, é bom que se faça, o fato de avaliar é positivo. Porém, os Caps são instituições multidisciplinares e pode existir um viés ao se analisar apenas pela ótica do trabalho do médico. O médico clínico, que foi avaliado, não tem de estar em todos os Caps, mas só no Caps 3. Já o psiquiatra tem de estar em todos os serviços. Mas nós também temos avaliado e apontado problemas, como as dificuldades para a integração dos centros com os posto de saúde. Não dá para entender também quando falam de falta de retaguarda. Não há um serviços de emergência nas cidades? E o Estado de São Paulo tem leitos. O importante é saber se o Caps tem a capacidade de intervir em crises. Um outro ponto: o estudo afirma que 27% não tinham uma articulação com outros órgãos para a reinserção do paciente na sociedade, mas, eu olho por outro lado, mais positivo: 60% e poucos tinham.
Foram feitas críticas à sua permanência no cargo desde o governo Fernando Henrique.
O que tenho a dizer é que todo mundo é livre para comparar governos, FHC com Lula. Mas eu falo de fatos. Fizemos mudanças entre 2002 e 2009. De 20% de cobertura de serviços substitutivos chegamos a 60%. A segunda questão é que estamos no processo da Conferência de Saúde Mental. Talvez esse ponto possa ser discutido na conferência. Estamos convencidos de que o Caps é um modelo excelente para quadros severos, como psicoses e depressão profunda, mas são necessárias outras estratégias para o problema das drogas.
Qual a opinião do ministério sobre a recriação de ambulatórios de psiquiatria em São Paulo?
Cada Estado tem sua autonomia, mas, à luz da história, o modelo mostrou ter baixo custo-efetividade. O serviço tende a se tornar superlotado. / F.L.