Título: China imprime novo ritmo ao mercado de mineração
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Fonte: O Estado de São Paulo, 02/04/2010, Economia, p. B3
O ano de 2010 abre mais um ciclo no mercado de mineração, que vive dinâmica extraordinária nos últimos 15 anos. Depois de atravessar com certo marasmo a década de 1980 e o início dos anos 1990, o comércio de minério de ferro foi totalmente absorvido pelo ritmo que apresentou ao mundo a China como a nova grande economia de mercado.
Grande consumidor de minério, mas não autossuficiente em sua produção, o mercado chinês movimentou os negócios das mineradoras em todo o mundo e, mesmo a contragosto, inflacionou o produto. Os contratos que, neste setor, costumavam ser de longo prazo, acertando volumes e preços específicos anuais para grandes clientes, seguiam reajustes que não passavam de um dígito e, dependendo da relação oferta/procura da época, podiam ser negativos.
A Vale participou desse movimento até uma determinada época acompanhando o mercado. Depois da privatização, em 1997, começou a assumir uma postura mais agressiva, buscando reduzir a distância de suas concorrentes mundiais. O mercado começava também a se consolidar, com fusões antes improváveis entre mineradoras.
Aqui, a consolidação se traduziu no apetite da Vale, que comprou praticamente todas as concorrentes nacionais e se agigantou. Passou a aumentar seu território também no exterior e conquistou a liderança do processo de formação de preço. Em 2008, a mineradora perdeu a liderança nas negociações.
Com a crise, 2009 passou sem preço de referência e, agora, siderúrgicas querem voltar ao preço de referência. As mineradoras impõem um novo modelo: o dos reajustes trimestrais. E começa um novo ciclo.