Título: Haiti obtém US$ 5,3 bilhões em créditos
Autor: Chacra, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2010, Internacional, p. A13
Secretário-geral da ONU diz que conferência para ajudar na reconstrução do país após terremoto supera expectativas
Países e organizações internacionais comprometeram-se ontem a enviar bilhões de dólares em créditos ao Haiti para a reconstrução do país após o terremoto de janeiro, que deixou cerca de 230 mil mortos e arrasou a capital, Porto Príncipe. Os anúncios foram feitos durante uma conferência de doadores na ONU, em Nova York, que reuniu 138 países e organismos internacionais.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que a comunidade internacional superou as expectativas ao reunir US$ 5,3 bilhões nos próximos dois anos para ajudar na reconstrução do Haiti e US$ 9,9 bilhões, no total, para os próximos três anos ou mais. A ONU havia pedido pelo menos US$ 3,9 bilhões. "Esta é uma boa notícia, um exemplo da solidariedade internacional", disse Ban. Para ele, "agora é preciso garantir que o Haiti receba esse dinheiro e ele seja bem investido".
Os EUA e a União Europeia foram os principais doadores. Os americanos disseram que doarão US$ 1,15 bilhão, ficando atrás dos europeus, que prometeram conceder US$ 1,6 bilhão. Dos países emergentes, o Brasil foi o que se comprometeu com o maior valor. Ao todo, os brasileiros contribuirão com US$ 172 milhões, que se somarão aos US$ 167 milhões já gastos desde o terremoto de 12 de janeiro. França, Espanha, Qatar e outros países também anunciaram elevadas doações aos haitianos.
Cálculos do governo haitiano e de agências internacionais, incluindo a ONU, indicam que serão necessários cerca de US$ 11 bilhões ao longo dos próximos dez anos para o Haiti conseguir se reconstruir. "O que vimos hoje tem uma escala que não foi vista em gerações", disse Ban, celebrando o sucesso da conferência em Nova York.
O presidente do Haiti, René Préval, ao discursar na ONU, afirmou que o foco dos doadores deveria ser na educação. "Vamos sonhar com um novo Haiti cujo destino esteja em um novo projeto de uma sociedade sem exclusão, que supere a fome e todos tenham acesso à saúde", disse o líder haitiano.
"Precisamos que o Haiti tenha sucesso (na sua reconstrução). O que acontecer lá terá repercussões bem além de suas fronteiras", disse a secretária de Estado Hillary Clinton.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou em seu discurso na conferência que o desafio hoje é assegurar que o apoio "da comunidade internacional seja sustentável e direcionado para resultados de longo prazo".
"Ajudar o Haiti está além de qualquer luta ideológica, religiosa ou política. É um teste para a comunidade internacional para demonstrar sua vontade e capacidade de se juntar em favor de uma causa sem divergências", afirmou Amorim.