Título: Copom terá de reafirmar suas credenciais técnicas
Autor: Graner, Fabio ; Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2010, Economia, p. B1

Com a saída de Mário Mesquita da diretoria de Política Econômica, o Copom tornou-se um órgão de funcionários de carreira do setor público, e especialmente do próprio BC. Encerra-se, assim, a fase de importante presença de economistas que vinham direto da academia ou do mercado, e que tendiam a trabalhar no mercado depois de sair do BC.

É prematuro, porém, pensar que a nova configuração implique um BC menos conservador. Carlos Hamilton Araújo, por exemplo, que substitui Mesquita, é doutor pela Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV-Rio, um reduto bem ortodoxo.

O diretor Alexandre Tombini, apontado como possível novo presidente se Meirelles sair (o que parecia mais incerto ontem), é visto por alguns como "pombo", isso é, com uma percepção menos aguda, mas não necessariamente equivocada, do risco inflacionário. Mas o Copom também teve membros que vieram da academia e saíram para o mercado, como Sérgio Werlang, hoje no Itaú, tidos como "pombos". No final das contas, o ruído no BC hoje está ligado à novela da saída de Meirelles. Resolvido esse capítulo, o Copom não terá dificuldade em reafirmar suas reconhecidas credenciais técnicas, se quiser.