Título: Construtora MRV surfa a onda do boom residencial
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/04/2010, Economia, p. B7
A construtora MRV, com sede em Belo Horizonte e empreendimentos espalhados por diversas partes do Brasil, é um exemplo da força da classe C no mercado residencial. Com foco em famílias com renda entre três e sete salários mínimos, a empresa tem crescimento exponencial.
Em 2006, as vendas contratadas foram de R$ 206 milhões, equivalentes a aproximadamente 2 mil unidades. Para 2010, a projeção é de vendas de R$ 4 bilhões, relativas a 40 mil unidades. Em 2009, as vendas foram de R$ 2,8 bilhões, ou 28 mil unidades.
"Estamos surfando esta onda", diz Leonardo Correa, vice-presidente financeiro da MRV. Ele acrescenta que o valor médio dos apartamentos vendidos pela MRV é de R$ 100 mil, e o típico comprador tem renda familiar de R$ 2 mil a R$ 3 mil. "Com renda de R$ 2 mil, estamos falando de um pedreiro casado com uma empregada doméstica", ilustra Correa. Uma parte considerável dos clientes da MRV tem direito a subsídios do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.
Para o executivo, o mercado de imóveis novos no Brasil pode triplicar ao longo dos próximos anos em relação aos níveis de 2007 e 2008, chegando a 1 milhão de unidades anuais. "Uma das razões pelas quais acreditamos no nosso negócio é a demografia", diz Correa, referindo-se à formação de famílias próximas a 1,5 milhão por ano, superconcentrada na classe C.
Os irmãos Ademiel Santana Júnior, 26 anos, e Leandro Santana, 25, moradores da zona norte do Rio, ilustram a busca pela casa própria. Eles querem sair da casa dos pais, mas, por falta de dinheiro, resolveram morar juntos. No conceito utilizado para medir a demanda residencial potencial, Ademiel e Leandro criaram uma nova "família".
Os dois buscam um apartamento que custe entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, cujo financiamento caberá nos seus orçamentos, que somam pouco mais de R$ 2 mil mensais. "Precisamos de condições facilitadas e prestações baixas, já que é melhor dividir apartamento do que morar de aluguel", afirmou Ademiel.
"Já fomos ver três construções diferentes e gostamos muito desse último", acrescentou Leandro, referindo-se a um empreendimento da construtora CHL no Méier, na zona norte.