Título: Parente a gente não escolhe, diz político paraguaio alvo de ataque
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/05/2010, Internacional, p. A13
Robert Acevedo, senador do Paraguai
Atingido na semana passada de raspão por dois tiros - de uma saraivada de 32 que matou dois de seus seguranças - num atentado que atribui à represália do narcotráfico às denúncias que faz na região de fronteira, o senador paraguaio Robert Acevedo, do Partido Liberal, aliado do presidente Fernando Lugo, se recupera-se em casa. Pedro Juan Caballero, separada da brasileira Ponta Porã por uma rua, "é a mais violenta do mundo, proporcionalmente" e o atentado que sofreu tem ligação com o PCC. Acevedo, que recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sempre acompanhada por dois policiais fortemente armados, diz que as acusações de que teria alguma ligação com o tráfico, apesar de denunciá-los, são contra-ataques dos narcotraficantes.
Como o sr. se defende daqueles que o acusam de ter também ligações com o narcotráfico, apesar de denunciá-los?
Tenho muita coisa para me defender. A mesma coisa acontece com o presidente Álvaro Uribe (da Colômbia). Eu trabalho contra o narcotráfico. Já recebi prêmio internacional do Brasil, o embaixador americano veio à minha casa. Se tivesse algum envolvimento você acha que eles fariam isso? É uma campanha do narcotráfico.
Essas acusações de ligações com pessoas do narcotráfico, então, não têm nenhum fundamento?
De jeito nenhum. Se eles forem procurar lá atrás, pode ter algum parente que possa ter alguma ligação com eles, um tio. Mas eu não tenho nada com isso. Parente a gente não escolhe.
Acusam também o sr. de ter bens acima de sua renda?
Tenho bens que vêm de meu pai. Não são muitos. Tenho também uma sociedade com quatro irmãos e, se dividir tudo, não sobra quase nada.
A quem o sr. atribui o atentado?São pessoas ligadas ao narcotráfico. Eu denuncio todos eles.
Aponto nomes, aponto esquemas que precisam ser combatidos e os traficantes são covardes e matam quem defende a paz, de frente. Aqui tem tráfico de armas, cocaína e maconha. Isso prejudica os dois países e o Brasil é o mais prejudicado pois é porta de entrada de drogas.
A guerrilha Exército do Povo Paraguaio está ligada ao tráfico?
O EPP é brincadeira de criança, se comparada ao narcotráfico.
O sr. pretende ir ao encontro dos presidentes Lugo e Lula?
Se estiver melhor, sim. Se tiver oportunidade, quero que eles se convençam que a situação está difícil aqui, que precisa de um combate duro, porque este lugar serve de refúgio a narcotraficantes do Brasil. E pior: tanto o lado brasileiro quanto o paraguaio têm pouco efetivo. / T.M.