Título: Para os EUA, só uma ação da ONU obterá resposta séria do Irã
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/05/2010, Internacional, p. A10

O encontro do presidente Lula com o presidente Mahmoud Ahmadinejad ocorre num momento diplomático delicado. Após meses de negociações, autoridades americanas disseram na quinta-feira que os EUA estavam perto de levar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para impor sanções ao Irã. A secretária de Estado, Hillary Clinton, advertiu que Ahmadinejad poderia usar as conversações para ganhar tempo para o desenvolvimento de uma arma nuclear. "Não obteremos resposta séria dos iranianos até o Conselho de Segurança agir", disse ela.

O Brasil se opõe às sanções por considerar que são ineficazes e podem intensificar o conflito. Como país em desenvolvimento que defendeu as próprias aspirações nucleares contra pressões internacionais, o Brasil identifica-se com o Irã. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que representou o país na ONU quando os EUA usaram evidências inconclusivas para montar um caso contra o Iraque, descreveu as conversações como um esforço para impedir que isso se repita. Analistas argumentam que Lula vê o entendimento com o Irã como maneira de se posicionar contra o domínio americano e promover o papel do Brasil como ator de peso na esfera internacional.

Nesse novo papel - que repousa na posição do Brasil como maior economia da América do Sul - Lula desafiou os Estados Unidos sobre tudo, de comércio e mudanças climáticas ao golpe em Honduras e o embargo de Washington contra Cuba. Mas a disputa sobre o Irã provocou mais atritos e autoridades temem que comprometa a busca de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. Publicamente, a administração Obama desejou sorte ao Brasil. "Este é o único grande jogo do Brasil", disse uma autoridade americana. Na ONU, diplomatas disseram que a viagem de Lula lançou sombra sobre as conversações que eles começaram no início de abril, porque deu à China e à Rússia, que têm mostrado pouco entusiasmo real por sanções, motivo para continuarem enfatizando a via diplomática./