Título: Aniversário de morte de aiatolá converte-se em ato contra Israel
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Fonte: O Estado de São Paulo, 05/06/2010, Internacional, p. A10
Ahmadinejad e o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, evocaram Khomeini e atacaram a oposição interna
Os principais líderes iranianos aproveitaram as cerimônias pelo 21.º aniversário da morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder e fundador da República Islâmica, em 1979, para criticar Israel e os dissidentes opositores do regime.
Em seu discurso, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, condenou o ataque israelense à frota humanitária que levava ajuda à Faixa de Gaza. Khamenei previu o fim da nação judaica, dizendo que Israel "cairá no vale da morte" por causa de erros estratégicos. Aos gritos de "Morte a Israel" e "Morte à América", o aiatolá afirmou que Israel é um "tumor cancerígeno" que deve ser "extirpado".
Os líderes opositores iranianos também não foram poupados. Khamenei acusou os dissidentes de terem se "desviado do caminho traçado por Khomeini". O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que a oposição é "hipócrita". "Aqueles que se afastam do caminho do imã serão banidos pelo povo'', disse Ahmadinejad.
A oposição iraniana acusa Ahmadinejad de ter fraudado as eleições de junho do ano passado. Os protestos pós-eleitorais duraram meses e causaram uma forte reação do governo. Cerca de 80 pessoas morreram durante as manifestações de rua. Mais de 100 ativistas foram julgados e 80 foram condenados à morte ou receberam pesadas penas.