Título: Teerã consegue driblar restrição em vigor
Autor: Chacra, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/06/2010, Internacional, p. A11

Governo iraniano maquia frota de navios para transportar material de guerra vetado por [br]resoluções da ONU NOVA YORK

Em janeiro de 2009, um cargueiro enferrujado com a bandeira de Hong Kong atracou no porto de Durban, África do Sul. Ele só ficou lá por uma hora, o suficiente para recolher sua carga clandestina: uma super lancha Bladerunner 51, que pode ser armada com torpedos e utilizada em ataques rápidos no Golfo Pérsico.

O nome visível no costado do navio ao deixar Durban, rumo ao porto iraniano de Bandar Abbas, era Diplomat, e seus papéis mostravam que era propriedade da companhia Starry Shine Ltd. Seis meses antes, porém, o Diplomat chamava-se Iran Mufateh e integrava uma frota da República Islâmica do Irã.

Meses depois do episódio, os EUA alertaram que o Irã havia rebatizado o navio e criado a Starry Shine para escapar de controles que buscam impedir que o Irã obtenha tecnologia de uso militar, como a Bladerunner 51. Mas, na época, o cargueiro já tinha outro nome, Amplify. Detectado pela última vez por um sistema de controle eletrônico em abril, em Karachi, o Amplify estava sob nova direção e tinha um novo e misterioso proprietário.

O Mufateh-Diplomat-Amplify faz parte de um grande esquema de ocultação, no qual o Irã, pressionado pelas sanções, mascara o nome dos verdadeiros proprietários de seus navios numa rede de companhias de fachada que se estende da Europa à Ásia.

Gato e rato. Agora, enquanto o Irã continua a desafiar os apelos internacionais contra suas ambições nucleares, o Conselho de Segurança da ONU prepara-se para votar novas sanções. Várias cláusulas referem-se à Irisl, companhia dona do Diplomat, que segundo os EUA estaria envolvida em um complô para contrabandear armas.

Mas uma análise mostra que o Irã usou uma série de estratagemas - mudando não apenas as bandeiras e os nomes dos navios, como seus proprietários, operadores e gerentes - para ficar um passo à frente dos investigadores. Esse jogo de gato e rato oferece um verdadeiro estudo sobre as dificuldades na aplicação das sanções.

"Estamos lidando com pessoas que são tão espertas quanto nós e elas também podem ler a nossa lista", disse Stuart A. Levey, subsecretário do Tesouro, supervisor da iniciativa das sanções e da lista negra da Irisl.

Dos 123 navios da Irisl enumerados, apenas 46 ainda pertencem claramente à Irisl ou a suas subsidiárias listadas nos EUA. Os restantes 73 agora são registrados como pertencentes a companhias que não aparecem na lista negra. As empresas estão localizadas em países distantes do Irã, como Malta, Hong Kong, Chipre, Alemanha e a Ilha de Man. Mas, em quase todos os casos, os registros e as entrevistas estabeleceram vínculos definitivos entre os novos proprietários registrados dos navios e a Irisl.

Nos últimos meses, grupos de ativistas, como o Iran Watch, levantaram questões sobre a Irisl, particularmente sua prática de mudar os nomes dos navios. Mas as investigações proporcionam um quadro consideravelmente mais amplo do modo como a companhia adaptou-se às sanções - que vai muito além do que é de conhecimento até mesmo do Departamento do Tesouro dos EUA. / Teerã consegue driblar restrição em vigor

Governo iraniano maquia frota de navios para transportar material de guerra vetado por [br]resoluções da ONU NOVA YORK

Em janeiro de 2009, um cargueiro enferrujado com a bandeira de Hong Kong atracou no porto de Durban, África do Sul. Ele só ficou lá por uma hora, o suficiente para recolher sua carga clandestina: uma super lancha Bladerunner 51, que pode ser armada com torpedos e utilizada em ataques rápidos no Golfo Pérsico.

O nome visível no costado do navio ao deixar Durban, rumo ao porto iraniano de Bandar Abbas, era Diplomat, e seus papéis mostravam que era propriedade da companhia Starry Shine Ltd. Seis meses antes, porém, o Diplomat chamava-se Iran Mufateh e integrava uma frota da República Islâmica do Irã.

Meses depois do episódio, os EUA alertaram que o Irã havia rebatizado o navio e criado a Starry Shine para escapar de controles que buscam impedir que o Irã obtenha tecnologia de uso militar, como a Bladerunner 51. Mas, na época, o cargueiro já tinha outro nome, Amplify. Detectado pela última vez por um sistema de controle eletrônico em abril, em Karachi, o Amplify estava sob nova direção e tinha um novo e misterioso proprietário.

O Mufateh-Diplomat-Amplify faz parte de um grande esquema de ocultação, no qual o Irã, pressionado pelas sanções, mascara o nome dos verdadeiros proprietários de seus navios numa rede de companhias de fachada que se estende da Europa à Ásia.

Gato e rato. Agora, enquanto o Irã continua a desafiar os apelos internacionais contra suas ambições nucleares, o Conselho de Segurança da ONU prepara-se para votar novas sanções. Várias cláusulas referem-se à Irisl, companhia dona do Diplomat, que segundo os EUA estaria envolvida em um complô para contrabandear armas.

Mas uma análise mostra que o Irã usou uma série de estratagemas - mudando não apenas as bandeiras e os nomes dos navios, como seus proprietários, operadores e gerentes - para ficar um passo à frente dos investigadores. Esse jogo de gato e rato oferece um verdadeiro estudo sobre as dificuldades na aplicação das sanções.

"Estamos lidando com pessoas que são tão espertas quanto nós e elas também podem ler a nossa lista", disse Stuart A. Levey, subsecretário do Tesouro, supervisor da iniciativa das sanções e da lista negra da Irisl.

Dos 123 navios da Irisl enumerados, apenas 46 ainda pertencem claramente à Irisl ou a suas subsidiárias listadas nos EUA. Os restantes 73 agora são registrados como pertencentes a companhias que não aparecem na lista negra. As empresas estão localizadas em países distantes do Irã, como Malta, Hong Kong, Chipre, Alemanha e a Ilha de Man. Mas, em quase todos os casos, os registros e as entrevistas estabeleceram vínculos definitivos entre os novos proprietários registrados dos navios e a Irisl.

Nos últimos meses, grupos de ativistas, como o Iran Watch, levantaram questões sobre a Irisl, particularmente sua prática de mudar os nomes dos navios. Mas as investigações proporcionam um quadro consideravelmente mais amplo do modo como a companhia adaptou-se às sanções - que vai muito além do que é de conhecimento até mesmo do Departamento do Tesouro dos EUA. /