Título: Usiminas já prevê reajuste mensal para o minério de ferro
Autor: Veríssimo, Renata; Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/06/2010, Negócios, p. B12
Para Wilson Brumer, presidente da siderúrgica, empresas terão de se adaptar à nova realidade do mercado.
O preço do minério de ferro, hoje negociado de forma trimestral pelas empresas, deve passar a ser reajustado de forma mensal. A previsão foi feita pelo presidente da Usiminas, Wilson Brumer, que participou do Fórum Estadão ? Região Sudeste, promovido pelo Grupo Estado na capital paulista.
O executivo não descartou a possibilidade de que essa mudança passe a valer ainda neste ano. "Teremos de aprender a conviver com uma nova realidade no setor", afirmou. "Isso não significa que o preço do minério de ferro vai subir todo mês. Pode haver queda de preços em alguns momentos", ponderou. Até o fim de 2008, antes do aprofundamento da crise financeira mundial, as mineradoras realizavam os reajustes anualmente.
Brumer garantiu que as siderúrgicas estão investindo fortemente na ampliação da capacidade produtiva e na construção de novas fábricas. De acordo com ele, não existe risco de falta de aço no País. "Não faltará aço para o crescimento econômico do Brasil. As empresas estão com grandes planos de investimento", afirmou, citando que o setor siderúrgico deverá investir US$ 40 bilhões até 2016.
Para cumprir os investimentos programados, porém, as siderúrgicas terão de manter margens adequadas, disse Brumer. Ele afirmou que a Usiminas ainda está avaliando um eventual aumento nos preços do aço neste ano. "Não queremos nos antecipar sem estudar a situação, mas, certamente, se houver um aumento de preços de matérias-primas, não poderemos fechar os olhos."
Segundo Brumer, o setor siderúrgico tem consciência de que seus clientes precisam elevar a competitividade, mas essa pressão de custo não pode ser ignorada. "Ninguém aumenta preço porque quer." Durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, várias siderúrgicas, entre elas a Usiminas, sinalizaram que vão elevar os preços em consequência do aumento das cotações do minério de ferro e carvão. A Vale vai reajustar a tonelada do minério, a partir de julho, em cerca de 35%.
Tarifas. A respeito da possibilidade de o governo zerar as tarifas de importação do aço para conter o aumento dos preços, o presidente da Usiminas disse que a questão tem de ser negociada entre o setor e o governo. Segundo ele, já há um excesso de aço importado no Brasil. "O governo deveria estar preocupado com a importação de produtos que contenham aço", disse. De acordo com ele, o volume de importações de aço e de produtos com aço no País chega a cinco milhões de toneladas, o equivalente à produção anual da unidade de Ipatinga (MG) da Usiminas. "Certamente não estamos gerando emprego no País."
Também presente ao evento, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, evitou a polêmica sobre o aumento das alíquotas de importação do aço. "É um mecanismo que pode ser utilizado, mas pode parecer ameaça ao setor produtivo", afirmou.
Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que o governo ainda não tem evidências de um aumento abusivo no preço do aço doméstico, fato que justificaria redução das alíquotas de importação do produto.