Título: Taxa de desemprego de maio é de 7,5%
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/06/2010, Economia, p. B5
Há mais trabalhadores em busca de vagas; o índice do IBGE fica quase estável, mas é o menor para os meses de maio desde 2002
A procura por uma vaga no mercado de trabalho aumentou em maio e elevou a taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País para 7,5%. Apesar da pequena alta em relação aos 7,3%, a situação do emprego foi considerada "estável" pelo instituto. A taxa é a menor para meses de maio desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002.
O desempenho do emprego foi diferenciado entre as regiões e a renda real caiu pela primeira vez desde dezembro do ano passado. O gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, disse que o resultado de maio reflete o aumento da procura por trabalho, já que o número de desocupados (sem emprego e à procura de uma vaga) subiu 3,2% ante abril, totalizando 1,76 milhão de pessoas.
"O aumento da ocupação não foi suficiente para atender todas as pessoas que buscavam trabalho. Nesse período do ano é comum aumentar a busca por uma vaga, especialmente diante das notícias de cenário econômico mais favorável, que estimulam a população a procurar trabalho", explica Azeredo. Para ele, "não houve piora" no mercado de trabalho no mês.
O analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski concorda e acredita que "as perspectivas favoráveis em relação ao desempenho da economia devem contribuir para a ampliação da oferta de vagas, além de elevar a procura por emprego".
O economista da Nobel Asset Management, Paulo Val, também avalia que, apesar do desemprego, "o mercado de trabalho continua aquecido".
Regiões. Um dos principais destaques do desempenho do mercado de trabalho em maio, na avaliação de Azeredo, foi a discrepância nos resultados entre as regiões. Enquanto as cidades do Nordeste apresentam taxas de desemprego acima da média, no Sudeste e no Sul as taxas são inferiores à média das seis regiões.
Em maio, a menor taxa de desemprego regional foi apurada em Porto Alegre, com 5%, "uma taxa de padrão americano de antes da crise", segundo sublinhou Azeredo. Em abril, a taxa era de 5,4%. Já em Salvador, a taxa em maio foi de 12% e em Recife, de 9,7%, ante taxas de 11,2% e 9,1%, respectivamente, em abril.
Segundo Azeredo, essas diferenças regionais "refletem as diferenças na estrutura econômica, etária e demográfica entre as seis regiões metropolitanas". Em São Paulo, a taxa foi de 7,8%, pouco acima dos 7,7% de abril. O gerente explica que o mercado de trabalho paulista tem a peculiaridade de atrair mão de obra migratória de outras regiões brasileiras, sobretudo do Nordeste.
Renda. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou, em maio, a primeira queda ante mês anterior apurada pelo IBGE em 2010. O último recuo anterior, nessa base de comparação, havia ocorrido em dezembro de 2009, de 0,9%, a mesma queda apurada em maio deste ano ante abril. Azeredo disse que o recuo reflete a alta da inflação, mas também uma perda do poder de compra dos trabalhadores. / COLABOROU FLÁVIO LEONEL