Título: Nunca perguntei para o médico
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Fonte: O Estado de São Paulo, 11/07/2010, Vida, p. A19
Na porta da farmácia, mãe e filha sacam analgésicos e citam sem dificuldades o slogan de um dos mais vendidos no País. "É tudo automedicação", reconhece a empresária Maria Paula Barreto, de 48 anos, que costuma usar o remédio para dor de cabeça. A filha, Isabella, de 20, anda com o remédio na bolsa. "Nunca perguntei para o médico", diz a mãe.
A estudante Paula Dias, de 21, também decide sozinha. "Tenho muita dor de cabeça, especialmente quando estou estressada. E também em razão da sinusite. O médico recomendou vida saudável, exercícios. Mas nem sempre dá."
A farmacêutica Mônica Campos relata que grande parte dos clientes chega ao balcão com o nome do analgésico de venda livre na ponta da língua. "Tratam como banal algo que não é", diz. "Tem muita gente com pressão alta, gastrite, e não sabe que determinados remédios podem gerar problemas. Eu aconselho a orientação médica, mas nem sempre aceitam. Querem o que o amigo indicou. Não podemos impedir."
"As pessoas deveriam, pelo menos, conversar com o farmacêutico. Ele está apto a orientar", defende Amouni Mourad, assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo. Desde fevereiro, as drogas isentas de prescrição não podem ser comercializados em gôndolas. Mas os profissionais não podem negar pedido do consumidor. O Conselho Federal de Farmácia discute a possibilidade de os farmacêuticos orientarem sobre isentos de prescrição.