Título: Obama põe fim às ações de combate no Iraque
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/08/2010, Internacional, p. A17

Retirada parcial cumpre promessa de campanha e reforça front afegão

Diante de veteranos de guerra, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem que a missão americana de combate no Iraque terminará no dia 31, tal como fora programado por seu governo no ano passado. Mas, ao mencionar a permanência de um contingente de 50 mil soldados e de 94 bases militares até o final de 2011, para um período de transição, Obama também deixou claro que o "sacrifício" americano no Iraque ainda não terminou.

A Casa Branca avisou que a retirada do Iraque ocorrerá na mesma medida em que cresce o poder de fogo dos EUA no Afeganistão. A operação casada ganhou o nome de Nickel II, em referência às duas frentes abertas pelo general americano George Patton em uma das batalhas decisivas da 2.ª Guerra, na fronteira da França e da Alemanha.

"Como candidato a presidente, prometi trazer a guerra no Iraque a um final responsável. Logo depois de tomar posse, eu anunciei nossa nova estratégia para o Iraque e deixei claro que até 31 de agosto de 2010, a missão de combate americana chegaria ao fim. É exatamente o que está acontecendo, tal como foi prometido e agendado", afirmou Obama, na convenção nacional de Veteranos Deficientes da América, em Atlanta.

"Como foi acertado com o governo iraquiano, nós manteremos uma força de transição até que todas nossas tropas sejam removidas do Iraque no final do próximo ano. A dura verdade é que nós não vimos ainda o final do sacrifício americano no Iraque."

Os 50 mil soldados americanos que permanecerão no Iraque deverão dar apoio e treinar o contingente iraquiano - um total de 665 mil homens - em missões de contraterrorismo. Em princípio, o compromisso americano com Bagdá passará a ter mais um viés civil e diplomático que militar, mesmo diante de circunstâncias políticas que fragilizam a condução do governo do presidente Jalal Talabani. "Há tarefas perigosas. Ainda há aqueles com bombas e munições que atentarão contra o progresso do Iraque", completou.

Afeganistão. A confirmação do compromisso americano de deixar o Iraque foi feita em um período de crescente ceticismo nos Estados Unidos em relação ao seu front mais antigo, o Afeganistão.

O número de americanos mortos em combate atingiu um recorde mensal de 66 baixas em julho, sete meses depois da adoção de uma nova estratégia militar de combate aos grupos insurgentes vinculados ao Taleban e à Al-Qaeda em solo afegão.

Desde a posse de Obama, o contingente americano triplicou no Afeganistão - passando de 33 mil para 87 mil militares. No Iraque, o movimento seguiu o sentido inverso, baixando de 144 mil para os atuais 81 mil, de acordo com dados divulgados ontem pela Casa Branca. À medida que os Estados Unidos desmontarem suas bases e equipamentos militares no Iraque, reforçarão prioritariamente sua ação no Afeganistão.

O Iraque já contou com 357 bases americanas e hoje mantém 121. Até o final de 2011, apenas 94 serão preservadas. Ou seja, 27 bases serão desmanteladas ao longo deste mês. Nos 28 dias restantes, os EUA também removerão do Iraque 2,2 milhões de peças de equipamentos militares, cujo destino preferencial será o Afeganistão. Restarão no país apenas 1,2 milhão de peças para dar apoio às brigadas de assessoramento e assistência que permanecerão em solo iraquiano.

Para lembrar O presidente Barack Obama sentiu a pressão contra o prolongamento dos conflitos no Afeganistão e no Iraque na semana passada, ao acompanhar a votação na Câmara dos Deputados de uma verba adicional de US$ 37 bilhões para financiar as duas frentes de combate. O projeto foi aprovado por 308 votos contra 114. Obama só conseguiu esse resultado após forte apoio da oposição republicana, historicamente mais sensível a questões militares. Ano passado, diante do mesmo desafio, apenas 32 democratas haviam se oposto à medida.