Título: Proposta do presidente teve claro cunho eleitoral
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/08/2010, Internacional, p. A15
O apelo do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em favor da iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério por uma corte de Teerã e sentenciada a morrer por apedrejamento, foi uma decisão para repercutir internamente, de cunho claramente eleitoral.
E foi por isso que o presidente ofereceu o Brasil como terra de asilo durante um comício em Curitiba, no sábado. Não foi uma decisão de Estado, pensada como uma negociação diplomática entre Estados soberanos a ser conduzida pelo Itamaraty.
Apesar de o chanceler Celso Amorim ter conversado sobre o assunto, por telefone, com autoridades iranianas, foi a partir de uma avaliação com interlocutores políticos do Planalto e da coordenação da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT), que o presidente decidiu fazer o apelo em Curitiba.
O Planalto tem pesquisas de opinião mostrando que o apoio de Lula ao regime cubano de Fidel e Raúl Castro, o que o levou a não interceder publicamente em favor dos presos políticos da ilha, não caiu bem entre a classe média dos grandes centros urbanos.
No caso de Sakineh, a avaliação é que, por se tratar de uma mulher, o efeito negativo dos braços cruzados do presidente recairia sobre Dilma, que será, de qualquer forma, obrigada a explicar as posições, no mínimo polêmicas, do governo Lula em matéria de política externa e direitos humanos.
Pragmático, Lula decidiu dizer algo. E disse num comício.
É CHEFE DA SUCURSAL DE BRASÍLIA