Título: Líder reitera oferta a iraniana, mas diz que não ofereceu asilo
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/08/2010, Internacional, p. A15
Morte de Sakineh por apedrejamento ou pela forca seria uma condenação "bárbara", afirma Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que sua proposta de receber a iraniana Sakineh Ashtiani foi de caráter humanitário. "Eu não fiz um pedido de asilo. Fiz um pedido mais humanitário do que uma coisa política", afirmou. O presidente acrescentou que, se houver disposição por parte do governo do Irã para ainda conversar sobre o assunto, "a mulher poderia vir para o Brasil".
Lula criticou a decisão da Justiça do Irã de condenar Sakineh à morte e ressaltou que as modalidades de execução escolhidas são "bárbaras". "A imprensa fala que ela seria morta por apedrejamento ou pela forca. Ou seja, nenhuma das duas mortes é humanamente aceitável".
Lula argumentou que estava em Curitiba, participando de um comício da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, quando tomou conhecimento mais amplo sobre o caso de Sakineh. "Vi a foto de uma mulher, e não sei se era montagem, enterrada até o pescoço", disse Lula. "Achei isso tão bárbaro, por isso disse que o Brasil receberia essa mulher de braços abertos", sustentou.
O presidente se disse contra a pena de morte, mas fez uma ressalva: "Como chefe de Estado aprendi a respeitar a lei de outros países. Sobre o caso dos direitos humanos no Irã, não sei como funcionam. Sei que cada país tem suas leis. E, concordando ou não, temos que aprender a respeitar."
Questionado sobre as declarações do porta-voz iraniano, que qualificou Lula de "emotivo" para justificar a oferta brasileira, Lula disse: "Fico feliz que o ministro iraniano tenha percebido que sou um homem emocional.