Título: Indústria reduz o uso da capacidade instalada
Autor: Rodrigues, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/08/2010, Economia, p. B7

Queda foi de 0,2 ponto porcentual em junho, segundo a CNI; resultado não preocupa a entidade, que prevê volta do crescimento no 2.º semestre

Produção antecipada. Isenções tributárias, como no caso da linha branca, turbinaram setor

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria caiu 0,2 ponto porcentual em junho e ficou em 82,5%, de acordo com os indicadores divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em maio, o índice havia ficado em 82,7%.

No indicador dessazonalizado, sem a influência de fatores típicos desta época do ano, também houve uma queda de 0,6% no faturamento em junho na comparação com o mês anterior. Em relação a junho de 2009, o faturamento aumentou 10%.

Para o analista da CNI, Marcelo de Ávila, o resultado de junho não preocupa. "Não foi um tombo na atividade, mas uma pausa. A tendência é de volta do crescimento no segundo semestre, tradicionalmente mais forte para a indústria", afirmou.

No mesmo sentido, a acomodação no ritmo de produção da indústria dos últimos meses não deve continuar daqui para frente na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

"Não é uma mudança de trajetória. A expectativa é que, a partir de julho, os dados voltem a ficar positivos, mas sem dúvida a exuberância do primeiro trimestre tinha uma natureza atípica. Os mecanismos governamentais de incentivo, como isenções tributárias, estavam com fim anunciado e, portanto, houve antecipação de produção e vendas no primeiro trimestre", disse o economista.

Emprego. Para Castelo Branco, porém, a segunda queda consecutiva no indicador mensal sobre o uso do parque instalado indica que a economia brasileira não está superaquecida. "Um aspecto positivo é que, mesmo nesse ambiente, a indústria continua contratando, com reflexo na massa salarial real", completou.

Em junho, o indicador que mede a evolução das contratações na indústria avançou 0,4% em relação ao mês anterior. Segundo Marcelo de Ávila, o avanço de 6,6% em relação a junho de 2009 revela que o emprego nas fábricas já recuperou as vagas perdidas durante a crise. "Em 2010 devemos ter o maior crescimento anual da série histórica.".

Mesmo assim, na mesma comparação, houve recuo de 0,4% nas horas trabalhadas, segundo a entidade. "Não há como mensurar, mas, com certeza, a Copa do Mundo influenciou no tempo médio de trabalho dos funcionários das fábricas nesse período", concluiu Castelo Branco.

Variações0

82,5 % foi o porcentual de capacidade instalada da indústria em junho

82,7% havia sido o porcentual de capacidade da indústria em maio

10% cresceu o faturamento da indústria em junho de 2010 ante 2009

0,4% avançaram as contratações da indústria em junho