Título: Colômbia entrega ao Equador computador de líder guerrilheiro
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Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2010, Internacional, p. A11

Quito fica satisfeito com iniciativa e seu chanceler encontra representante da Colômbia para dar início a 'diálogo direto'

O governo do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, entregou no sábado ao presidente equatoriano, Rafael Correa, um dos computadores apreendidos da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O computador - que tem informações sobre os planos das Farc e documentos mostrando as suas relações com membros dos governos da Venezuela e do Equador - foi apreendido no acampamento bombardeado pelo Exército da Colômbia em território equatoriano, em 2008.

O Equador vinha pedindo acesso a seu conteúdo há algum tempo. A decisão de Santos de entregá-lo - uma das primeiras medidas tomadas pelo líder colombiano após a posse - foi uma tentativa de desencadear o "diálogo direto" com o país vizinho. O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, mostrou-se satisfeito com a iniciativa. "(Trata-se de um gesto) realmente significativo", disse Patiño. "As exigências equatorianas estão sendo atendidas", concluiu.

Ontem à tarde, a nova chanceler colombiana, Maria Angela Holguín, reuniu-se com Patiño em Bogotá. Após o encontro, Holguín afirmou que seu governo seguirá devolvendo o material apreendido no Equador e assegurou que Quito tem "todo o compromisso do governo da Colômbia para normalizar as relações". "As relações com o Equador são muito importantes e por isso queremos continuar percorrendo o caminho da normalização", afirmou a ministra colombiana, ao lado do colega equatoriano. Holguín prometeu agendar novos encontros nas próximas semanas. Patiño anunciou que ambos devem se reunir numa região de fronteira, mas também não mencionou datas.

Detalhes do ataque. Na noite de sábado, Correa disse que espera receber em breve informações sobre a operação militar que incluiu a invasão do território equatoriano. "Nos próximos dias nos entregarão também informações sobre os bombardeios", afirmou Correa.