Título: Caça a inatingíveis marca fase final da campanha
Autor: Bramatti, Daniel
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/08/2010, Nacional, p. A4
Está cada vez mais difícil para a campanha de Dilma Rousseff (PT) mostrar ao eleitorado que ainda não sabe que ela é a candidata de Lula. Desde meados de junho, segue imóvel o quarto de inatingíveis, eleitores que desconhecem quem o presidente apóia ou citam outro nome que não o da petista.
A caça a esse eleitorado, por todos os candidatos, caracteriza a última etapa da campanha eleitoral. E o meio que lhes resta para tentar atingi-lo é a TV, seja através dos debates e entrevistas exclusivas em programas jornalísticos, seja, em última instância, via propaganda compulsória a partir do próximo dia 17.
Os inatingíveis são majoritariamente do sexo feminino, têm menos de 24 anos, não passaram das primeiras séries do ensino fundamental, moram na periferia das metrópoles e no Nordeste. Isso não exclui a existência de inatingíveis homens e em outras regiões do País.
O que esta pesquisa Ibope mostra é que sem aumentar o grau de conhecimento sobre a relação de Lula com Dilma para esse segmento do eleitorado, dificilmente a petista conseguirá aumentar sua vantagem sobre José Serra (PSDB), estacionada em cinco pontos percentuais.
Por isso é difícil compreender por que Dilma só citou o nome de seu patrono depois de uma hora e meia de debate, na quinta-feira à noite, durante o encontro dos candidatos a presidente na TV Band, quando a audiência já havia caído a menos da metade.
Para os demais candidatos, os inatingíveis também são um alvo prioritário. Eles não têm o mesmo cartão de visitas de Dilma, o aval de Lula (esses eleitores têm o perfil dos beneficiados por programas sociais do governo federal). Mas podem conquistar parte desse eleitorado se tiverem em discurso que atenda seus interesses.
*É jornalista especializado em uso de estatísticas