Título: Gabrielli admite corrosão em plataforma
Autor: Lima, Kelly ; Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2010, Economia, p. B1

Presidente da Petrobrás reconhece problemas de conservação em algumas unidades, mas nega haver riscos para os trabalhadores embarcados

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, admitiu ontem que algumas plataformas na Bacia de Campos "realmente estavam com problemas de conservação". Ele negou, porém, que houvesse riscos para os trabalhadores embarcados, como denuncia o Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense (Sindipetro-NF).

Ontem, trabalhadores embarcados em plataformas iniciaram uma operação-padrão para exigir o cumprimento das normas de segurança.

A interdição da plataforma P-33 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na semana passada foi tema dominante em três entrevistas concedidas ontem pelo presidente da Petrobrás. "(As plataformas) estavam na fase em que esperavam as paradas pré-programadas e realmente estavam feias, com alguns problemas de conservação", disse Gabrielli, pouco antes de deixar evento da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip).

Para o Sindipetro-NF, além da P-33, que está instalada no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, há outras quatro plataformas em mau estado de conservação: P-25, P-31 P-32 e P-35. Os problemas foram detectados por vistorias feitas pelos próprios trabalhadores. No caso da P-33, há laudos também da Delegacia Regional do Trabalho, da ANP e da Marinha, que embarcaram na unidade na última quarta-feira.

"É natural". Gabrielli citou a corrosão como um dos principais problemas de conservação das plataformas. "A corrosão é natural de qualquer equipamento", disse o presidente da Petrobrás. Em notas divulgadas na semana passada, a estatal já tocava no tema, alegando que as plataformas estão submetidas a condições climáticas rigorosas.

O executivo negou, porém, que haja risco à segurança dos trabalhadores. "Jamais colocaríamos nossos trabalhadores em risco. Todas as decisões de continuar as operações foram tomadas porque temos certeza de que esses elementos, essas unidades, precisam de mais conservação, mas não ameaçam a integridade física dos nossos trabalhadores", disse Gabrielli.

Ontem, trabalhadores embarcados em plataformas da Bacia de Campos realizaram a operação "Chega de Contar com a Sorte", na qual se comprometiam a seguir com rigor todos os procedimentos de segurança estabelecidos pelas empresas de petróleo. O objetivo, diz o sindicato, é "demonstrar que as empresas não estão preparadas para produzir mantendo o atendimento às próprias regras que criam ou que a legislação prevê".

De acordo com o Sindipetro-NF, 11 plataformas da Petrobrás na Bacia de Campos, além do terminal de tratamento de gás de Cabiúnas, aderiram à mobilização - que lembra ainda os 26 anos do acidente com a plataforma de Enchova, no qual morreram 32 pessoas. A assessoria do sindicato disse que não houve incidentes durante o protesto.