Título: Ministério contesta denúncia de propina
Autor: Vianna , Andréa Jubé
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/09/2010, Nacional, p. A10
O Ministério da Saúde divulgou nota em que contesta reportagem da última edição da revista Veja, associando a compra do medicamento Tamiflu, usado no tratamento da gripe H1B1, a esquema de pagamento de propina na Casa Civil. A revista relata que o negócio beneficiou servidores da pasta em julho de 2009. Na época, a presidenciável Dilma Rousseff comandava a pasta e Erenice guerra, que a sucedeu, era secretária-executiva. Segundo a Veja, o governo fechou em junho de 2009 uma compra emergencial do Tamiflu, com aval da Casa Civil. Temriam sido comprados mais medicamentos que o necessário, no valor de R$ 34,7 milhões, em troca de comissão. A reportagem afirma que o advogado Vinícius de Oliveira Castro ex-assessor da Casa Civil, que deixou o cargo na semana passada após denúncias contra Erenice teria recebido R$ 200 mil. O Ministério da Saúde afirma que adquiriu quantidade suficiente do antiviral para tratar 14,5 milhões de pessoas ! no valor global de R$ 400 milhões. Explica que o valor foi definido a partir de critérios exclusivamente técnicos, para tratar de 10% da população brasileira. as negociações do ministério com o laboratório resultaram num preço 76,7% mais baixo que o de mercado, diz a nota. O ministério acrescenta que as compras foram realizadas diretamente com o laboratório Roche, único produtor do medicamento, sem intermediários. Frisa que a Casa Civil não teve interferência no processo e lembra que a vacina contra a gripe chegaria ao Brasil somente em 2010. Por isso, o Tamiflu era a única solução indicada contra a doença disponível naquele momento. De acordo com a revista, o ex-assessor Vinicius Castro recebeu R$ 200 mil em dinheiro vivo em julho de 2009 como recompensa pela negociação. O dinheiro, relata a revista, foi encontrado em um envelope pardo pelo assessor de Erenice. Vinicius pediu demissão do cargo depois da revelação de que operava um esquema de lobby no Palácio do Planalto. Agia, segundo a revista, em parceria com Israel Guerra, filho de Erenice. Para atuar, ambos montaram em Brasília a empresa Capital Assessoria em nome de laranjas. Israel usou o irmão Saulo e Vinicius, a mãe Sônia, que vende queijo em Minas. A reportagem diz que, ao receber os R$ 200 mil, Vinicius ouviu de um assessor: É a PP do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo. PP, informa a revista, era um recado cifrado. Seria a sigla para os pagamentos oficiais do governo. Vinicius é sobrinho do ex-diretor de Operações dos correios Marco Antonio de Oliveira. A revista diz que Oliveira confirmou a propina em entrevista gravada. Um outro assessor teria contado a mesma história. Erenice pediu demissão quinta-feira depois da revelação de que seu filho montou um esquema de propina e lobby no governo Lula. Ela era o braço-direito de Dilma na Casa Civil. A publicação informa ainda que o marido de Erenice, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos, também foi favorecido dentro do governo. Camargo convenceu dois amigos, donos de uma pequena empresa de comunicações, a disputar o milionário mercado de telefonia móvel. Em 2005, a empresa Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa do marido de Erenice ganhou o direito de entrar no mercado.