Título: Cresce a adesão à greve nacional dos bancários
Autor: Rehder, Marcelo ; Scrivano, Roberta
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2010, Economia, p. B12

Número de agências fechadas subiu de 4.895, na quinta-feira, para 6.215 ontem, e atingiu cerca de 31% das 19.8 mil existentes em todo o País

Sem proposta de aumento real de salários, a greve nacional dos bancários entrou ontem em seu terceiro dia. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a paralisação se ampliou e fechou 6.215 agências, o que representa cerca de 31% das 19,8 mil existentes no País. Na quinta-feira, esse número era estimado em 25%, ou 4.895 agências paradas.

"O fortalecimento da greve é uma resposta ao silêncio dos bancos", comentou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

O sindicalista convocou os 32 integrantes do Comando Nacional dos Bancários para uma reunião segunda-feira, em São Paulo. "Vamos fazer uma avaliação d o movimento e discutir formas de ampliar ainda mais a greve."

Apesar disso, o diretor de negociações trabalhistas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostólico, disse ter esperança de que as negociações sejam retomadas no início da semana.

"O que precisamos é de uma disposição clara de sentar à mesa para construir um acordo, e não para ouvir uma proposta", disse ele. "Não estamos exigindo que suspendam a greve nem que desmobilizem a categoria para negociar conosco."

As negociações foram suspensas depois que os representantes dos bancos ofereceram reajuste salarial de 4,29%, que somente repõe a inflação acumulada em 12 meses até agosto. Os trabalhadores querem 11%, o que representa aumento real de 5% além da inflação.

Aposentados. A greve ganhou força num momento em que os bancos começam a liberar o pagamento para os mais de 26 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ontem, houve dificuldades para sacar o dinheiro da aposentadoria.

"Recebemos reclamações de associados que precisavam do dinheiro e não conseguiram receber porque a agência estava fechada", contou o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Cidade de São Paulo, Gentil Fernandes, "Não tem o que sindicato possa fazer, a greve é um direito do trabalhador", observou.

O problema, segundo ele, é que boa parte dos aposentados tem costume de receber o dinheiro na boca do caixa. "Mesmo os que têm cartão não fazem retiradas no caixa eletrônico porque não dominam as operações e têm medo de serem assaltados."

Não foram só aposentados que enfrentaram problemas. Fábio Ribeiro, de 28 anos, administra há pouco mais de seis meses a clínica médica de seu pai. Ontem, o jovem perdeu o dia de trabalho à espera da abertura de uma agência específica para negociar a portabilidade de uma linha de financiamento. "Nosso negócio está a ponto de quebrar. Decidimos fazer a transferência desse empréstimo para nosso outro banco, mas a agência não abre", contou.

Paciente, o jovem ficou cerca de duas horas à espera da abertura da agência. "Um funcionário que está dentro da agência me disse que pode ser que eles abram ainda hoje."

Maria Celeste, dona de uma escola há quinze anos, ficou surpresa quando chegou à sua agência para fazer o pagamentos das contas de seu negócio e as portas estavam fechadas. "Faz quinze anos que pago as contas nessa agência, e agora fui aconselhado a usar a internet", disse. "Talvez eu venha a aderir ao pagamento online a partir de agora."