Título: PF apreende no AP santinhos de governador com policiais civis
Autor: Fadel, Evandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2010, Nacional, p. A16
Também foram apreendidos 800 litros de combustíveis e cestas básicas no depósito da Secretaria de Inclusão
A Polícia Federal apreendeu na manhã de ontem, em Macapá, santinhos com propaganda eleitoral do governador e candidato a reeleição Pedro Paulo Dias (PP) no interior de uma viatura da Polícia Civil. Também foram apreendidos 800 litros de combustíveis e cestas básicas no depósito da Secretaria de Inclusão e Mobilização Social (SIMS).
A viatura era descaracterizada, mas tinha o rádio transmissor usado pela Polícia Civil. O carro aguardava para ser abastecido, com outros veículos, em frente da Secretaria Estadual de Transportes. A suspeita é de que esses carros usariam combustível público para realizar atividades de campanha. Uma lista de placas de carros que eram abastecidos na Secretaria de Transportes foi apreendida pela PF.
Indícios levantados pela PF indicam que o estoque de combustível e o lote de cestas básicas seriam usados por cabos eleitorais. Denise de Carvalho, mulher do governador Pedro Paulo Dias, é secretária de Inclusão e Mobilização Social.
Ate março, a titular da SIMS era Marília Góes, mulher do ex-governador Waldez Góes (PDT), que deixou o cargo para disputar o Senado. Marília é candidata a deputada federal pelo PDT. Ela e o marido foram presos temporariamente na Operação Mãos Limpas, mas atualmente já se encontram em liberdade em campanha eleitoral.
Função. No inquérito que serviu de base para a Operação Mãos Limpas, a SIMS era considerada uma pasta estratégica no esquema da suposta quadrilha "dada a sua função de mobilização social".
O inquérito apontou fraude em licitações para a aquisição de kits de material escolar, artigos para construção, roupas para gestantes, entre outros itens que eram distribuídos em programas sociais. Marília Góes e outros dois funcionários da pasta foram apontados como responsável pelos contratos.
"Esses mandados de busca e apreensão são os primeiros resultados de um trabalho de inteligência que vem sendo feito há mais de um ano com o objetivo de evitar a compra e manipulação de votos. Não foram feitos de forma leviana, mas são confirmações de investigações prévias, que parecem agora estarem se confirmando", diz o superintendente da PF de Macapá, Roberto Maia. O Estado tentou falar sobre as apreensões com a secretária de Comunicação do governo do Amapá, Cléa Lima, mas não obteve resposta.
Tropas. O uso de carros de policiais para atividades eleitorais de candidatos governistas, que já ocorreu em eleições passadas, levou o Movimento Mãos Limpas, composto por grupos da sociedade civil amapaense, a pedir a intervenção de tropas da Força Nacional de Segurança para as eleições do Amapá.
O superintende da PF acredita que, por enquanto, não existe necessidade de reforço. "O ambiente atualmente está bastante tranquilo e o reforço de policiais federais no Estado está dando conta do recado", diz Maia. Atualmente existem 200 homens da PF nas ruas das cidades amapaenses atras de denúncias e suspeitas de crimes eleitorais.
O superintendente da PF afirmou também que a Operação Mãos Limpas continua em andamento e passa por uma segunda fase, de análise e de execução de laudos feitos a partir das provas que vêm sendo recolhidas nos últimos 20 dias no Estado. Segundo Maia, o principal objetivo das 18 primeiras prisões foi permitir que a instrução do inquérito fosse acrescida de novas provas, que foram conseguidas a partir do recolhimento de documentos, computadores e arquivos dos suspeitos.