Título: Lula pede a Chávez que leve apoio a Correa
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2010, Internacional, p. A21
Em campanha, brasileiro não vai a reunião extraordinária da Unasul, na Argentina
Envolvido com os últimos dias de campanha eleitoral no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incumbiu ontern seu colega venezuelano, por telefone, de levar seu apoio ao líder equatoriano, Rafael Correa, na reunião emergencial da Unasul programada para ocorrer ainda na noite de ontem na Argentina.
Lula determinou ao ministro interino das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que embarcasse para Buenos Aires a fim de representá-lo no encontro. O governo brasileiro demonstrou preocupação com a amplitude das manifestações ocorridas em Quito e expressou seu "apoio" e "solidariedade" ao presidente do Equador, Rafael Correa.
"Estamos preocupados com os últimos acontecimentos no Equador, mas as informações recebidas ate agora são de que a situação está controlada", disse o assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, depois de comentar o telefonema entre os presidentes brasileiro e da Venezuela, Hugo Chávez. Lula também tentava, na noite de ontem, manter contato com o presidente equatoriano, Rafael Correa. Segundo Marco Aurelio, o presidente Lula já colocou a disposição de Correa "o que ele precisar". A maior preocupação do governo brasileiro é que haja ruptura na democracia.
Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está no Haiti, conversa com vários chanceleres para manter o presidente Lula informado. Em conversa com o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, Amorim expressou o total solidariedade do Brasil.
Em nota, o Itamaraty disse que "o governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda preocupação, dos graves acontecimentos no Equador". Acrescentou ainda que "o Brasil deplora os atos de violência e de desrespeito as instituições e condena energicamente todo e qualquer tipo de ataque ao poder civil legitimamente constituído e a ordem constitucional do Equador". Por fim, a nota diz que "o governo brasileiro expressa total apoio ao governo constitucional do presidente Rafael Correa e faz um apelo para que seja restabelecida de imediato a ordem interna no Equador, com pleno respeito a democracia e aos direitos humanos".
A área militar não tem preocupações com os acontecimentos ocorridos no Equador porque ele se caracterizou por uma movimentação corporativa de policiais, insatisfeitos com alterações em seus ganhos. Há avaliações até de que o presidente Rafael Correa esta aproveitando o episódio, ampliando a verdadeira extensão dos fatos, chegando a falar em tentativa de golpe e decretando estado de exceção, para tentar obter mais apoios para seu governo.
Mercosul. Os países membros do Mercosul condenaram "de maneira veemente" os protestos militares de ontem no Equador e pediram a restauração imediata da ordem constitucional no país sul-americano. Em comunicado emitido pelo Mercosul no começo da noite desta quinta-feira, o bloco expressou "profunda preocupação com os sérios eventos que estão ocorrendo hoje no Equador".
"As ações representam uma clara tentativa de insubordinação constitucional por setores das forças de segurança naquele país", disseram autoridades do Mercosul em nota oficial.