Título: Equador força TVs a transmitir cadeia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2010, Internacional, p. A21
Por ordem do governo, emissoras privadas são obrigadas a interromper a programação para retransmitir o sinal da rede pública Partidários de Correa fazem manifestação diante do Palácio Presidencial, em Quito
QUITO O governo do Equador ordenou ontem a todos os canais de televisão e rádio do país que suspendessem por tempo indeterminado sua programação normal e passassem a emitir o sinal da rede pública, pela qual estão sendo transmitidas declarações de ministros e autoridades críticas aos policiais sublevados. Após a declaração do estado de exceção, a Secretaria Nacional de Comunicação da presidência equatoriana enviou um e-mail aos diretores dos principais canais de televisão e de rádio de todo o país exigindo que eles retransmitissem o canal Ecuador TV, Gama TV e a Radio Pública. Uma das redes de TV mais críticas ao presidente, a Teleamazonas, que foi tirada do ar por 72 horas por transmitir "informações não confirmadas", em dezembro, colocou uma tarja no vídeo para informar que as imagens eram parte de uma "cadeia nacional obrigatória".
Pablo Cozzaglio/AFPApoio. Partidários de Correa fazem manisfestação diante do Palácio Presidencial, em Quito Outras redes de TV, como a Ecuavisa e o Canal Uno, também interromperam sua programação para entrar em cadeia nacional. Na transmissão, ministros e autoridades do governo discursavam exaustivamente sobre os acontecimentos envolvendo Correa e policiais rebelados.
Desde que assumiu o poder, em 2007, Correa tem ameaçado seguir os passos do venezuelano, Hugo Chávez, e não renovar a concessão de emissoras de TV privadas. A polarização entre o presidente e a imprensa do país acirrou-se depois que Correa declarou que "todos os meios de comunicação e os jornalistas são inimigos de seu governo".
Como parte de sua luta contra a imprensa, Correa elaborou um projeto, que atualmente está em debate no Congresso, que prevê a criação do Conselho Nacional de Comunicação e Informação (CNCI), que fiscalizará todos meios de comunicação. O novo órgão, controlado por aliados de Correa, teria a incumbência de avaliar o conteúdo de notícias e aplicar sanções. O CNCI terá ainda a atribuição de renovar, a cada ano, a licença das redes de rádio e TV. Na semana passada, sete parlamentares opositores denunciaram os planos do governo à Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo eles, o projeto limita a liberdades de expressão no país. / REUTERS e AP