Título: Socorro a banco na Irlanda vai a 40 bi
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2010, Economia, p. B9
Com o resgate, o déficit público da Irlanda vai atingir o nível recorde de 32% do PIB
A Irlanda revelou ontem a quantia final de quase 40 bilhões para resgatar os bancos do país, dizendo que terá de fazer cortes orçamentários mais drásticos. O banco central estimou que a quantia necessária para reestruturar o nacionalizado Anglo Irish Bank será de 34 bilhões. O governo do primeiro-ministro Brian Cowen disse que terá de injetar mais 5,4 bilhões das contas públicas no Irish Nationwide Building Society.
O ministro das Finanças, Brian Lenihan, disse que o custo da crise bancária irlandesa é "horrendo". Lenihan afirmou que o governo também deve ter uma fatia majoritária no Allied Irish Banks, que precisa de mais 3 bilhões até o fim do ano.
O nível de apoio do governo aos bancos continua "gerenciável", disse o ministro, mesmo que eleve o déficit de 2010 para a taxa recorde de 32% do Produto Interno Bruto (PIB) - mais de 10 vezes maior que o teto estabelecido pela União Europeia.
"Teremos um aumento substancial do déficit geral do governo em 2010, como resultado do respaldo de capital que estamos concedendo a nosso sistema bancário, equivalente a 20% do PIB", afirmou Lenihan.
Apesar da situação crítica, o ministro reafirmou o compromisso de derrubar o déficit a 3% do PIB em 2014.
Diante do abismo financeiro e da preocupação dos mercados, Dublin anunciou que não precisará tomar empréstimos, ao mesmo tempo em que a Europa deixou claro que não pretende socorrer os irlandeses.
"Pensamos que o governo irlandês poderá resolver seu problema sem recorrer ao fundo de resgate europeu", declarou o chefe dos ministros das Finanças dos 16 países da zona do euro, Jean-Claude Juncker.
O fundo europeu foi criado em maio para socorrer os países da zona euro em grandes dificuldades financeiras, depois da crise orçamentária da Grécia.
Com verba de até 750 bilhões, que seriam concedidos em forma de garantias pelos países da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o mecanismo está "operacional e preparado", mas não se espera que seja utilizado, afirmou o diretor do fundo, Klaus Regling.
Sinais de alarme. Mas os sinais de alarme continuam ativos para outros países.
A Moody""s retirou a nota máxima, "AAA", da Espanha, por causa da "deterioração considerável da solidez financeira".
Outro país em dificuldades financeiras, Portugal, submetido a uma crescente pressão dos mercados pelo encarecimento contínuo do refinanciamento de sua dívida, foi estimulado a reformar a economia, em especial a do mercado trabalhista.
"Exortamos as autoridades portuguesas a apoiar as medidas orçamentárias adotadas para reduzir o déficit público com reformas estruturais adicionais, completas, ambiciosas e que possibilitem o reforço do potencial de crescimento do país", disse Juncker. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS