Título: FMI alerta EUA e Europa para que não se desviem dos ajustes
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2010, Economia, p. B8
A apenas uma semana de sua reunião anual de outono (no Hemisfério Norte), o Fundo Monetário Internacional (FMI) disparou uma mensagem clara aos Estados Unidos e à Europa para que não se desviem do necessário ajuste nas contas públicas, mesmo sob a pressão do desemprego em alta e do crescimento medíocre da atividade.
O FMI também alertou para o fato de que, apesar do cenário de leve recuperação do comércio mundial neste ano, essas mesmas economias continuarão com baixa demanda por importações. Aos países que dependem desses mercados, recomendou apostar no consumo interno.
As mensagens do Fundo foram detalhadas em dois dos capítulos do estudo Perspectivas para a Economia Mundial, que será lançado na próxima semana, durante a abertura da reunião de outono do FMI e do Banco Mundial, em Washington. Esses capítulos foram antecipados ontem.
Em situação mais confortável em relação aos dois temas tratados, o Brasil não foi citado. Tampouco foi mencionado que o amargo remédio receitado insistentemente pelo Fundo para EUA e países europeus já foi tragado nos anos 90 pelo Brasil e por outras economias em desenvolvimento, com resultados reconhecidos como positivos.
Embora não tragam recomendações surpreendentes do Fundo, os capítulos apresentam mais argumentos para que o ajuste fiscal não seja protelado no capítulo Vai machucar? Efeitos Macroeconômicos da Consolidação Fiscal. Nesse estudo, que vasculhou a relação entre o ajuste fiscal e a perda de postos de trabalho nos últimos 30 anos, o FMI calcula o tamanho da ferida: cada corte no déficit fiscal equivalente a 1% do PIB, o ritmo da produção econômica cai 0,5% e a taxa de desemprego sobe 0,33%.
"Mesmo em economias avançadas é importante levar adiante o ajuste fiscal, mesmo que haja impacto negativo no crescimento da atividade e na geração de empregos em curto prazo", afirmou Daniel Leigh, economista do FMI que conduziu esse capítulo do estudo.