Título: Para Mantega, é cedo para avaliar medida
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2010, Economia, p. B1

"Há remédios que não fazem efeito no dia seguinte", disse o ministro, enfatizando que a valorização do real seria maior sem a alta do IOF

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o aumento de 2% para 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em renda fixa não é uma medida definitiva que vá resolver todo o problema do câmbio. "É para atenuar o fluxo forte que se identificou de aplicações financeiras estrangeiras em mercados de renda fixa", ressaltou.

Mantega disse que a redução do IOF, que entrou em vigor ontem, ainda leva algum tempo para surtir o efeito esperado. "Há remédios que não fazem efeitos no dia seguinte. Às vezes você começa a tomar um antibiótico e tem que tomar uma semana para ter resultado. O que se poderia pensar é que não fez efeito hoje, mas poderia fazer amanhã. E certamente ela (a medida) vai diminuir o fluxo de capital de curto prazo em aplicações financeiras, o que vai nos ajudar a diminuir a pressão sobre o dólar", afirmou. Segundo o ministro, o raciocínio é que, "se não se tivesse tomado essa medida, com o fluxo grande que estava ocorrendo, se poderia ter uma desvalorização do dólar maior do que de fato ocorreu".

Mantega deu essas declarações durante entrevista, depois de participar de reunião de coordenação com o presidente Lula no Palácio do Planalto.

A entrevista foi convocada para anunciar punições mais duras a servidores que violarem sigilo fiscal sem autorização. No fim da manhã, ainda no ministério, ao ser questionado sobre a validade da redução do IOF, já que o dólar estava em queda naquela hora, Mantega pediu paciência aos jornalistas.

"Calma. Não sejam apressados. Vamos deixar a medida surtir efeito", disse.

FMI. Na coletiva, o ministro informou que segue hoje para Washington, para discutir a questão do câmbio com ministros da Fazenda dos 24 países mais influentes. "A questão cambial é generalizada e não só no Brasil", afirmou. "Estamos vendo que a cada dia países tomam medidas para impedir que haja valorização das suas moedas. Ninguém quer perder a guerra comercial. Ninguém quer deixar de exportar ou ter sua moeda valorizada artificialmente. Temos de discutir em conjunto para acharmos uma saída comum."

Mantega explicou ainda a razão de não ter elevado o IOF para os investimentos estrangeiros em Bolsa. "Não havia fluxo excepcional na Bolsa, portanto nós mantivemos o IOF em 2% para aplicações estrangeiras." Sobre o IOF para compras no exterior com cartão de crédito Mantega disse que nada mudou.

Compras no exterior O ministro lembrou que, no caso das compras no exterior, ninguém pode trazer mais que US$ 500 por pessoa e quem ultrapassar esse valor já paga imposto sobre isso.