Título: Medidas cambiais são inócuas
Autor: Graner, Fabio ; Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/10/2010, Economia, p. B3
O movimento cambial de setembro foi o melhor do ano. Só não atinge o recorde da série (US$ 16,6 bilhões em junho de 2006) devido ao lado comercial deficitário em US$ 3 bilhões. O saldo das entradas com destino financeiro foi positivo em US$ 16,7 bilhões, nível máximo da série histórica. Vale lembrar que o mês foi marcado pela emissão de ações da Petrobrás, o que provocou a entrada da maior parte do capital estrangeiro.
Mesmo com o BC tendo adquirido US$ 10,8 bilhões no período, outro recorde, a taxa de câmbio seguiu em baixa, levando a Fazenda a anunciar a alta da alíquota do IOF para os investimentos estrangeiros, o que, independentemente de sua eficácia em conter a apreciação do real, guarda semelhança com o primeiro "estágio" desta medida, tomada há quase um ano, após uma enxurrada de moeda estrangeira no IPO do Santander.
A resolução do CMN, que aumenta de 750 dias para 1.500 dias o prazo para liquidação de operações de compra e venda de câmbio, também produz efeitos muito restritos sobre a trajetória do câmbio atual, uma vez que os capitais que estão pressionando a moeda doméstica não têm essa natureza.
Assim, a solução, de fato, para a questão da apreciação da moeda doméstica parece estar no mercado futuro, não apenas nas intervenções no mercado à vista. O câmbio reflete mais a dinâmica externa, acompanhando o que acontece com outras moedas em relação ao dólar. A tendência à apreciação permanecerá até que duas coisas tendam a alterá-la: o aumento do déficit em transações correntes, que poderá conduzir a um ajuste no câmbio, no médio prazo, ou a recuperação mais forte da Europa e dos EUA, ainda fora do radar.