Título: Governo quer ganhar tempo com as medidas
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/10/2010, Economia, p. B4

O governo partiu para uma política de redução de danos quando decidiu elevar de 2% para 4% o IOF incidente no ingresso de capital estrangeiro para aplicações em renda fixa e aumentar o prazo para o Tesouro adquirir dólares. As medidas, consideradas paliativas, tentam dar mais tempo ao governo para organizar uma estratégia mais ampla e enfrentar o problema cambial e dos exportadores no médio prazo. A equipe econômica reconhece que, sem elevar a taxação sobre ações, o efeito do IOF tende a ser menor. Mas o governo aposta no fechamento de brechas e no amplo escopo de incidência do IOF para deixá-lo mais eficaz.

O uso do IOF para tentar conter a excessiva valorização do real tem relação direta com três fatores desfavoráveis ao governo: o poder limitado do Fundo Soberano para comprar dólares, a atuação restrita do Banco Central no mercado de câmbio e a elevada taxa de juros, que favorece a especulação.

A despeito de no momento focar sua artilharia no câmbio à vista, uma atuação do governo no mercado futuro também não está descartada. Mantega já pressionou o BC para iniciar as ofertas de swaps cambiais reversos (operações equivalentes à compra de dólares no mercado futuro) e desbancar as apostas de que o real continuará se valorizando. Mas o BC até agora não se manifestou.

Outro fator que reforçou a necessidade de uso do IOF e do Tesouro elevar compra de dólares foi o juro. A avaliação da Fazenda é de que a Selic elevada é a causa principal do problema cambial, porque esse é o maior atrativo ao investidor. De outro lado, o BC e o mercado entendem que se tivesse ajuda da política fiscal, os juros seriam mais baixos.