Título: China resiste à mudança no câmbio
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/10/2010, Economia, p. B5
Secretário dos EUA diz, sem citar chineses, que sobrevalorização cambial trava expansão global
A guerra cambial ganhou novos contornos ontem com declarações das duas potências mundiais, Estados Unidos e China.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi claro na mensagem que enviou à Europa durante a cúpula bilateral realizada ontem: a China seguirá apoiando o euro, comprando bônus dos países afetados pela crise, mas não cederá às pressões europeias para valorizar o yuan.
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, alertou que uma "potencial cascata de intervenções no câmbio e de taxas cambiais subvalorizadas trazem risco à recuperação global".
Wen assegurou que a China é "o verdadeiro amigo da Europa", demonstrado pelo fato de "não ter permanecido à parte quando alguns países da zona do euro estiveram em dificuldade".
No entanto, pediu aos líderes políticos e empresariais europeus que deixem de pressionar a China para que permita uma maior flutuação de sua moeda, pois, em sua opinião, uma valorização poderia provocar uma crise no gigante asiático, com a perda de milhares de empregos e um "desastre" para a economia mundial.
A valorização da moeda chinesa é uma reivindicação, tanto dos Estados Unidos como da Europa, que consideram que um yuan baixo favorece as exportações chinesas e penaliza os produtos americanos e europeus.
No entanto, Wen considerou que os desequilíbrios comerciais entre Europa e China respondem mais à estrutura do comércio internacional que ao valor do yuan, como demonstra o fato de que o superávit comercial chinês se multiplicou nos últimos anos, apesar da alta controlada do valor da divisa chinesa.
Wen participou ontem da cúpula UE-China em Bruxelas, na qual o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, exigiu uma "ampla e ordenada valorização do yuan" para evitar danos à recuperação econômica da União Europeia.
Cascata. Sem mencionar diretamente a China, Geithner observou que "quando grandes economias com taxas de câmbio subvalorizadas agem para evitar a valorização de suas moedas, encorajam outros países a fazer o mesmo, estabelecendo uma dinâmica perigosa".
"Ao longo do tempo, mais e mais países enfrentam forte pressão para inclinar-se contra as forças do mercado, puxando para cima o valor de suas moedas, e seu impacto coletivo causa inflação e bolhas de ativos em economias emergentes ou também deprimem o crescimento do consumo", afirmou o secretário. Os comentários de Geithner centraram-se sobre os dois assuntos - taxas de câmbio e estratégias fiscais - que devem tomar conta dos encontros anuais do FMI e do Banco Mundial no fim de semana, preparatório para a reunião de 23 e 24 de outubro do G-20 em Seul.
Geithner disse que as economias avançadas ainda têm espaço para estimular o crescimento. Ele acrescentou que as "preocupações em relação aos limites de curto prazo das políticas econômicas mais orientadas ao crescimento são exageradas". AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
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