Título: UE pode suspender exploração em águas profundas
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/10/2010, Economia, p. B3
Europeus querem esperar resultado da investigação sobre acidente com a BP
A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE), vai propor oficialmente que se suspenda toda nova exploração de petróleo em águas profundas até que o resultado da investigação em relação às causas do desastre no Golfo do México pela BP sejam publicados e os motivos esclarecidos.
Ontem, o Parlamento Europeu vetou uma proposta similar que havia sido apresentada por deputados. Mas o tema ainda divide a Europa.
A proposta será apresentada pelo comissário de Energia da UE, Guenther Oettinger, em uma ação que pode colocar pressão sobre investidores que estejam avaliando apoiar os projetos em várias partes do mundo, como no pré-sal no Brasil.
No texto enviado aos governos, a Comissão "reitera seu apelo para que estados membros suspendam as licenças em exploração de petróleo e gás natural até que as investigações técnicas sobre as causas do acidente do Deepwater Horizon estejam concluídas e que um regime europeu de segurança em exploração offshore seja revisto".
Hoje, existem cerca de mil operações de exploração no Mar do Norte, cerca de cem no Mar Mediterrâneo e planos para a exploração nas costas de Chipre e Malta.
Para a Comissão Europeia, o regime de concessão de licenças para empresas explorarem reservas em alto mar deve ser acompanhada por regras mais claras sobre quem tem a responsabilidade sobre cada parte da operação.
No maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, um dos obstáculos era exatamente a identificação de quem teria a responsabilidade sobre o acidente.
Resistência. A proposta ainda terá de ir ao Parlamento Europeu para ser debatida. Mas os deputados europeus já indicaram ontem que não estão dispostos a atender ao pedido da Comissão. Em uma votação realizada ontem, o Parlamento rejeitou outra pedido para banir a exploração em alto mar.
A decisão que estava sendo avaliada previa maior segurança para as operações offshore e maiores compensações exigidas de empresas que poluam.
Mas os deputados evitaram banir a exploração. A vitória dos que apoiam a continuação das atividades foi apertada, com 323 votos contra a moratória e 285 a favor.
Para deputados escoceses, banir a exploração seria desastroso para a economia de sua região. Hoje, grande parte da exploração offshore na Europa está no Mar do Norte. Já deputados do Partido Verde europeu alertam que continuarão com o lobby para conseguir que uma futura proposta seja aprovada.
A divisão não está apenas entre deputados de diferentes tendências ideológicas. A União Europeia vive um dilema sobre como garantir seu abastecimento de energia nos próximos dez anos. Ontem, a UE apresentou sua estratégia energética até 2020 e concluiu que terá de investir 1 trilhão em dez anos para atender às necessidades do continente.