Título: Acordo binacional ficou no campo das intenções
Autor: Tereza, Irany ; Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/10/2010, Economia, p. B3
Em fevereiro de 2005, Brasil e Venezuela assinaram, em Caracas, com pompas de primeiro escalão, uma Aliança Estratégica que incluía 15 protocolos de intenções na área de petróleo e gás e outros tantos instrumentos de cooperação mútua que previam a criação de empresas transnacionais sul-americanas, como o Banco de Desenvolvimento do Sul e a empresa de mineração Carbosuramerica S/A. Foram firmados quase 30 protocolos. Muito pouco saiu do terreno das intenções. A refinaria em Pernambuco foi a mais emblemática exceção.
Dez meses depois da criação da Aliança, sob a chancela do Ministério das Relações Exteriores, foi lançada a pedra fundamental da refinaria binacional Abreu e Lima pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez.
Até agora, a Venezuela não compareceu com nada além de assinaturas para a efetivação do projeto. Assim como para quase todo o resto. O único acordo que caminhou com relativo sucesso foi o memorando de entendimento entre a Pequiven (Petroquímica de Venezuela S.A.) e a brasileira Braskem para o desenvolvimento de negócios na área de poliolefinas.
Braskem e PDVSA firmaram contratos de compra e venda de polietileno e polipropileno pela Braskem. Além disso, foi firmado contrato para fornecimento de nafta petroquímica pela PDVSA à Braskem. O aumento na venda desse produto representa quase metade do total exportado pela Venezuela ao Brasil e tem impactado na balança comercial dos dois países, que se mantém bem mais pesada do lado brasileiro.
A Petrobrás atua na exploração de petróleo em quatro campos exploratórios da Venezuela, por meio de empresas mistas com a PDVSA (Petroritupano, Petrowayu, Petrokariña e Petroven-bras). Mas essa atuação é anterior ao acordo binacional.
Um dos principais temas da Aliança, a presença da Petrobrás na faixa petrolífera do Orinoco, foi abandonado pela brasileira.
Mais de cinco anos depois da criação da Aliança, o plano de negócios entre Brasil e Venezuela não passa de uma intenção de dois governos que idealizaram a integração do Cone Sul com base na junção dos potenciais energéticos de seus países. Mas nenhum dos dois quis abrir mão da liderança desse processo.