Título: Busca por crédito ainda supera oferta
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/10/2010, Economia, p. B1
Para especialista, alto custo dos financiamentos imobiliários não pode ser atribuído à falta de competição entre instituições financeiras
Os empréstimos para a compra de imóveis no Brasil padecem do mesmo mal de outras modalidades de financiamento: demanda maior que oferta. A opinião é do presidente do Instituto para o Desenvolvimento da Cultura do Crédito (IDCC), Fernando Blanco.
Filipe Araujo/AE Alavanca. Graças ao crédito mais fácil, venda de imóvel disparou
Por isso mesmo, segundo ele, a questão dos juros altos não deve ser atribuída à falta de competição, como acreditam outros especialistas. Nem sempre, diz Blanco, um número elevado de bancos significa juros menores.
O especialista também lembra que, do ponto de vista dos bancos, fazer empréstimo imobiliário, hoje, é ótimo negócio. "Estamos falando de operações de 30 anos. Se a tendência para o juro é de queda no Brasil no médio e longo prazo, significa dizer que os bancos estão garantindo hoje uma remuneração elevada no futuro", explica.
Já o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz França, argumenta que o custo do empréstimo imobiliário é o mais baixo do País. "Quantas empresas conseguem captar dinheiro por 30 anos pagando 10,5% de juro ao ano mais TR?", indaga. "Acho que nenhuma. Mas as pessoas físicas podem se financiar a esse custo."
Ele também observa que o mercado de crédito do País (não só o imobiliário) sofre com inadimplência elevada, compulsórios e outros fatores. No caso específico das operações imobiliárias, França diz que a burocracia para a compra e venda de um imóvel no País acaba onerando as operações.
Por isso, ele conta que a entidade trabalha para que o governo faça mudanças regulatórias que resultariam na redução desses custos. Uma delas, explica, é o que ele chama de concentração de matrícula - qualquer operação em que o imóvel fosse dado como garantia teria de ser registrada na matrícula. "Isso reduziria o número de pesquisas que são feitas em uma transação", argumenta.