Título: Falta de energia atinge todas as classes sociais
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/10/2010, Economia, p. B6
Dos condomínios às casas da periferia, todos sofrem com o vaivém da eletricidade e com os apagões Os apagões em Manaus não discriminam classe social. Dos condomínios fechados às casas da periferia da capital, qualquer morador da cidade sofre com a rotina do vai e volta da energia elétrica e com os apagões localizados, que podem durar 5, 10, 20 minutos ou até horas. Independentemente do período no escuro, os prejuízos são reais para boa parte da população, como é o caso do taxista Roberto Oliveira.
"A geladeira tem pouco mais de seis meses e queimou na noite do feriado do dia 12, quando a energia foi e voltou umas cinco vezes", diz ele, morador de um condomínio na zona oeste da capital. Além da geladeira, um aparelho de ar-condicionado também queimou.
Como a geladeira é seminova, a assistência técnica vai fazer o conserto sem ônus. Em dias de apagão, como não dá para estocar comida, a família usa isopores e compra gelo para armazenar água e refrigerantes e compra comida pronta. "É muita despesa por causa de uma geladeira queimada", diz ele. No caso do ar-condicionado, ele afirma que vai mandar arrumar e depois vai levar a conta para a Amazonas Energia.
A dona de casa Maria Auxiliadora Melo, de 50 anos, moradora da zona leste, nem acende mais as velas que comprou para essas emergências. "Ultimamente a luz vai e volta em no máximo 15 minutos, parece que é só para queimar as coisas e não deixar a gente assistir ao fim da novela", reclama. O chuveiro elétrico do quarto do casal queimou numa dessas quedas de energia.
O sistema de som do home theater e dois aparelhos de ar-condicionado da casa da comerciária Isabel Maria Cristina de Albuquerque, de 44 anos, queimaram na semana passada. "O técnico disse que um dos aparelhos de ar-condicionado não tem mais conserto, tenho de comprar outro", disse. Apesar disso, ela não deve pedir ressarcimento pelo prejuízo. "É só dor de cabeça e tempo perdido."
Para o dono da Eletrônica Amadeu, João Amadeu de Oliveira, de 34 anos, na zona leste, os apagões trouxeram lucro por causa do aumento de consertos de aparelhos de ar-condicionado e de TV danificados durante as quedas de energia.