Título: Inadimplência cresce pelo quinto mês consecutivo
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/10/2010, Economia, p. B1
Dívidas com financeiras e cartões de crédito puxaram a alta de 15,3% em relação a setembro de 2009
A inadimplência do consumidor brasileiro registrou alta pelo quinto mês consecutivo, segundo o indicador Serasa Experian divulgado ontem. Puxada principalmente pelas dívidas com cartões de créditos e financeiras, a alta foi de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O índice de setembro - 1,6% superior ao de agosto - é a maior alta para o mês registrada pelo indicador desde 2000.
A pesquisa mostra que o crescimento da renda do trabalhador e a expansão do emprego formal ajudaram a evitar uma alta maior. De janeiro a setembro, a inadimplência acumulada no ano cresceu 1,8% na comparação com o mesmo período de 2009.
A falta de pagamento das dívidas com cartões de crédito e financeiras, que aumentou em 7,2% e pelo sétimo mês consecutivo, puxou a alta do índice geral. A inadimplência das dívidas com bancos aumentou 0,2 %, enquanto que os títulos protestados recuaram 0,2 %. O número de cheques sem fundo caiu 5,5% em relação a agosto.
"As compras parceladas no cartão de crédito podem ser divididas em muitas parcelas e pagas em prazos mais longos. Por isso são as mais escolhidas por quem não planeja as finanças", afirma o assessor econômico do Serasa, Carlos de Almeida. Para ele, a facilidade da obtenção de crédito, principalmente nos setores imobiliário e automobilístico, também contribuiu para o aumento.
Tendências. Segundo o Serasa, outubro deve reforçar o aumento da inadimplência dos consumidores. Isso porque o volume de vendas do Dia das Crianças registrou 12% de crescimento na comparação com os dados de 2009. Para Almeida, a data "é considerada um termômetro do Natal, que neste ano também deve vender bem e registrar crescimento, principalmente com o pagamento do 13º salário."
Mas para o economista Fabio Silveira, da RC Consultores, o aumento de inadimplência não deve se repetir. A geração de empregos refletiu no aumento do poder aquisitivo. "Famílias sem acesso a crédito passaram a tê-lo e perderam o controle, mas esse aumento de inadimplência é flutuante e temporário", afirma.
A opinião de Silveira é compartilhada pela assessora econômica da Federação de Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) Kelly Cardoso. "O consumidor pode estar endividado, mas consegue pagar as prestações. Não há possibilidade de calote", diz. Segundo a economista, a queda na taxa de juros para pessoa física tem aumentado o prazo de pagamento das dívidas e diminuído a porcentagem da renda comprometida