Título: O aumento do IOF e a movimentação cambial
Autor: Graner, Fabio ; Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/10/2010, Economia, p. B3

Seria de se esperar que o aumento do IOF sobre operações de renda fixa levasse a uma queda acentuada no saldo de entrada de recursos no País. Porém, pelos dados apresentados pelo Banco Central, isso não parece ter ocorrido. Na verdade uma parte desses recursos foram direcionados para a Bolsa de Valores, sobre a qual não houve aumento do imposto. Operações de estrangeiros em renda variável continuarão a pagar IOF de 2%. No dia 5, quando o novo imposto entrou em vigor, a compra líquida de estrangeiros na bolsa brasileira foi de R$ 233 milhões. Mas não é só isso, uma vez que, nos dias seguintes, o saldo financeiro de compra da divisa brasileira continuou a ser positivo, em maior parte dos dias em função das compras de bolsa. Portanto, devemos analisar quais são os motivos que levam investidores a entrarem no Brasil, mesmo que em operações que aparentemente têm custos elevados.

O principal diríamos que são as expectativas. Investidores em geral acreditam que não seja apenas essa a medida a ser tomada pelo governo para conter a valorização de nossa moeda.

O mercado move-se em função de expectativas e essa em particular leva investidores a anteciparem a compra de reais com receio que fique ainda mais caro no futuro. Mas o mais importante nessa conta é a taxa de juros brasileira, que mesmo não tendo sofrido mudanças durante as duas últimas reuniões do Banco Central, continua a ser muito elevada, especialmente quando comparada à taxa americana que paga apenas 2,40% para os títulos de dez anos.

Considerando a atual taxa básica de juros de 10,75% ao ano, o IOF de 4% e a taxa de câmbio de R$1,6808 por dólar (taxa de fechamento do dia 5 de outubro, dia em que entrou em vigor o novo IOF), o real poderia desvalorizar quase 4% para que o investidor estrangeiro tenha um empate entre o investimento em renda fixa no Brasil ou em títulos do Tesouro americano. E isso é para a taxa básica, imaginem quando consideramos outros títulos brasileiros que pagam retorno ao investidor, em muitos casos, 10% acima da taxa básica.

É COORDENADORA DA ASSET DO BANIF