Título: Produção cai pelo 2º mês consecutivo
Autor: Rodrigues, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/11/2010, Economia, p. B7

As paralisações nas atividades de petróleo e químicos, além dos efeitos negativos das importações, levaram a produção industrial a registrar mais uma queda em setembro. O recuo de 0,2% ante o mês anterior repetiu o resultado de agosto, com quadro preocupante para os investimentos. Para o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, o setor apresenta trajetória de "estabilidade".

O setor industrial fechou o terceiro trimestre com recuo de 0,5% ante o segundo trimestre. Os resultados comparativos a iguais períodos do ano passado continuam positivos: 13,1% no acumulado do ano e 7,9%, no terceiro trimestre.

Segundo Macedo, paralisações programadas na indústria química e de refino de petróleo e os elevados estoques na indústria siderúrgica, por causa das importações, foram os principais fatores para a queda na produção industrial em setembro.

O principal impacto de queda na produção nessa comparação foi dado pelo segmento de outros produtos químicos (resinas, adubos e fertilizantes), com queda de 4%, enquanto o segmento de refino de petróleo e álcool registrou queda de 1,5%.

Já a metalurgia básica (siderurgia) registrou queda de 2% na produção em setembro, o segundo recuo consecutivo após uma variação negativa de 5,8% em agosto ante julho. "Essa atividade tem registrado estoques elevados, que estão relacionados às importações", disse Macedo.

No entanto, ele ressalta que as importações não podem ser responsabilizadas pela queda na produção da indústria como um todo, já que há também os efeitos das paralisações programadas e influência de outros segmentos, como material elétrico e comunicações (-11%) e alimentos (-1,7%).

O resultado negativo de setembro era esperado por analistas econômicos, que projetam uma aceleração na produção no último trimestre do ano. O economista da Link Investimentos Thiago Carlos, avalia que o impacto das festas de fim de ano deve gerar uma movimentação maior na atividade, ainda que de maneira discreta, se comparado às fortes altas do primeiro trimestre deste ano.

"O resultado do terceiro trimestre acabou sendo influenciado tanto por ajustes de estoques como por fatores de importação", comentou ele, que não modificou a expectativa de expansão expressiva de 11,2% no acumulado da indústria em 2010. Se confirmado, o resultado será o melhor da série histórica da pesquisa, iniciada em 1991.

O analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski, avalia que a queda na produção no terceiro trimestre reflete um ajuste de estoques realizado pela indústria após a forte aceleração do início do ano e a perda de ritmo do segundo trimestre. "Com o término desse ajuste, a produção deve voltar a crescer incentivada, principalmente, pela demanda doméstica", acredita. / COLABOROU FLÁVIO LEONEL