Título: Bernardo sugere meta de inflação menor
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2010, Economia, p. B4
Para o ministro do Planejamento, é possível trabalhar com o objetivo reduzido para que o juro real no Brasil possa chegar a 2%
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu ontem a redução da meta de inflação para que o juro real no Brasil possa chegar a 2%. Segundo ele, é possível trabalhar com um objetivo menor de inflação - até 2012, está definido em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) - ainda no governo Dilma.
"Se quisermos ter juro real de 2%, é bom reduzir a meta", disse Bernardo. A visão é de que novas reduções no patamar da taxa Selic dependem de uma inflação menor. Indagado sobre se essa redução já poderia ocorrer para a meta de 2012 - que precisará ser confirmada em junho de 2011 pelo CMN -, o ministro tergiversou. Disse apenas que "a redução da meta é coisa a ser considerada", mas não se comprometeu com prazo e afirmou que a discussão é "para adiante".
A redução do alvo a ser perseguido pelo Banco Central é há anos desejada pela diretoria do BC, que tem sido sempre derrotada pelo Ministério da Fazenda.
A tese de Guido Mantega e sua equipe, que venceu nesse período, é de que a redução da meta de inflação em um momento de decolagem da economia dificultaria a queda dos juros, porque o BC teria de trabalhar com uma atividade econômica menos aquecida do que o desejável pelo governo.
Henrique Meirelles e seu time perderam a disputa, mas agora o ambiente está mais favorável para esse debate, depois de vários anos com a mesma meta sendo cumprida, o juro nominal em níveis historicamente baixos e o investimento em alta no País, melhorando a capacidade produtiva da economia nacional. O Brasil tem uma das maiores metas de inflação do mundo.
Commodities. Em entrevista coletiva ontem, Bernardo mostrou certa preocupação com o possível impacto da alta dos preços das commodities sobre a inflação brasileira. "Temos que olhar", disse Bernardo, ponderando que, por outro lado, o quadro mundial é deflacionário.
Indagado sobre um suposto "risco Dilma tardio" (de erros na condução da política econômica) que o mercado financeiro estaria considerando, o ministro ironizou dizendo que o mercado apoiava a candidatura de José Serra (PSDB) e é preciso cuidado porque muitos analistas estão querendo ganhar dinheiro, às vezes à custa do País.
"O mercado sabe que o governo Lula foi extremamente responsável", disse. Bernardo ressaltou que, no próximo ano, o Brasil deverá chegar à posição de sétima economia do mundo. Ao final do governo Dilma, acrescentou, estará em sexto e, até 2020, chegará à condição de quinta maior economia. "O Brasil tem cada vez mais credibilidade e recebe mais investimentos", disse o ministro, ressaltando que esse cenário exige que o País trabalhe futuramente com inflação, juros e investimentos compatíveis com uma grande economia.