Título: PF desmonta esquema de contrabandistas
Autor: Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2010, Economia, p. B11

Vinte e três acusados, incluindo cinco auditores da Receita, são presos por importações irregulares e desvio de mercadorias

Força Tarefa da Polícia Federal e da Receita, com apoio do ICE (US Immigration and Customs Enforcement), deflagrou ontem a Operação Trem Fantasma para cumprir 29 mandados de prisão contra envolvidos em um esquema de fraude aduaneira, contrabando, importações irregulares e desvio de mercadorias que chegavam ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Até o início da tarde, a PF prendeu 23 acusados, entre os quais cinco auditores da Receita.

A PF calcula que em um ano cerca de 80 toneladas de produtos - celulares, máquinas fotográficas, notebooks e equipamentos de oftalmologia fabricados nos Estados Unidos e na China - foram desembaraçados ilegalmente, causando prejuízo de R$ 50 milhões ao Tesouro.

A operação mobilizou 180 agentes e delegados da PF, além de 80 servidores da Receita. Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio e Pernambuco. Com três acusados os federais apreenderam US$ 1 milhão em dinheiro.

O delegado Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF, destacou que numa primeira etapa da investigação foram presas 11 pessoas. A PF vasculhou endereços de 12 auditores e analistas tributários. "A Receita não tolera desvios de conduta", declarou o corregedor-geral da Receita, Antonio Carlos Costa D"Ávila Carvalho. "Nossa bandeira é o combate a todos os grandes esquemas de corrupção. É um trabalho que tem dado grandes resultados."

A Receita identificou a fraude há um ano e comunicou a PF os movimentos de organização criminosa composta por empresários, despachantes aduaneiros, empregados de companhias aéreas e servidores públicos. Um delegado aposentado da PF no Rio foi preso.

A operação foi batizada de Trem Fantasma porque os fraudadores ingressavam em áreas restritas com comboios de caminhões, alguns sem autorização (fantasmas), com objetivo de burlar os controles alfandegários e retirar mercadorias irregularmente. Cinco lojas, uma delas na Galeria Pagé, no centro de São Paulo, eram abastecidas com os bens desviados.

"A fraude começava num setor específico da alfândega que faz trânsito aduaneiro", informou Guilherme Bibiani Neto, chefe da Corregedoria da Receita em São Paulo. "Outra área era o trânsito internacional de mercadorias que passam pelo Brasil com destino a outros países, por caminhão, havendo substituição do regime tributário."

Bibiani disse que o grupo enviava dois caminhões ao aeroporto. Um levava cargas com peso e volumes parecidos com os que estavam chegando. A carga falsa era composta de gabinetes de computador e produtos de baixo valor agregado, sem interesse comercial. A carga de alto valor vinha em caminhão idêntico.

O delegado da PF Vladmir Pacine Schinkarew informou que a organização tem 50 integrantes que serão indiciados por quadrilha, crimes contra a ordem tributária, descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.