Título: Mercado reage com tranquilidade à eleição
Autor: Fernandes, Adriana ; Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/11/2010, Economia, p. B4
Segmento de juros futuros foi o que teve a maior oscilação - para baixo - em decorrência da vitória Dilma Rousseff
O mercado financeiro reagiu com tranquilidade à eleição de Dilma Rousseff (PT) para a presidência. Dos três principais mercados - câmbio, ações e juros -, o que apresentou as maiores oscilações foi o último. Os juros futuros caíram por causa da expectativa de que o novo governo tenha uma política fiscal mais dura (ler mais na reportagem acima).
O contrato de juro futuro para janeiro de 2012, por exemplo, fechou em 11,32% ao ano, ante 11,34% na sexta-feira. Para dezembro de 2013, a expectativa saiu de 11,71% para 11,64%.
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) avançou 1,26%, amparado, principalmente, no bom desempenho das ações da Vale e da Petrobrás. O dólar subiu 0,29%, para R$ 1,707. É importante ressaltar que os mercados tiveram ontem uma liquidez menor, por causa da emenda do feriado.
"A vitória era esperada e já havia um consenso de que não implicaria mudanças no regime de política econômica", explicou o estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani. "O único ponto em que restam dúvidas é na política fiscal."
Não é à toa que os pronunciamentos de todos os envolvidos no novo governo têm incluído a política fiscal mais apertada.
As esperanças dos investidores estão depositadas, em boa medida, na composição da equipe econômica. Nenhum nome foi confirmado oficialmente. Por isso, há especulações para todos os gostos nas mesas de operações de instituições financeiras.
Palocci pode ser considerado o "sonho de consumo" do mercado. "Ele tem de estar no mix do novo governo de algum modo, seja na Casa Civil ou na Fazenda, para lidar com o lado fiscal, que não está às mil maravilhas", disse o analista-sênior para América Latina da consultoria Roubini Global Economics, Bertrand Delgado. "Ele só não pode ocupar um ministério social."
O chefe de pesquisa para mercados emergentes das Américas do Nomura Securities, Tony Volpon, observou que, "embora as taxas futuras venham caindo em antecipação" às prováveis medidas fiscais, ainda embutem no preço uma alta de 1,5 ponto porcentual da taxa Selic em 2011 - hoje, o juro básico da economia está em 10,75% ao ano.
Para Volpon, a leitura de uma inflação mais baixa e sinais concretos de uma política fiscal mais disciplinada no próximo ano, ao lado da força do real, devem levar a uma redução do atual nível de incertezas em relação ao juro futuro.
No mercado de câmbio, os investidores tiveram poucos ajustes a fazer após a confirmação da vitória de Dilma. O analista da Icap Corretora Felipe Brandão disse acreditar que, durante a transição para o novo governo, não devem ser anunciadas medidas cambiais. Por isso, o mercado deve fazer e o dólar oscilar ao redor de R$ 1,70. "Não vejo espaço para novas altas do real."
Risco fiscal
1,50 ponto porcentual é a alta da taxa básica de juros (Selic) projetada hoje pelo mercado ao longo de 2011. Se for confirmada, a taxa vai para 12,25% ao ano, ante os atuais 10,75%