Título: Lucro da Petrobrás chega a R$ 8,56 bi
Autor: Rodrigues, Alexandre ; Ciarelli, Monica
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/11/2010, Economia, p. B10

Ganho no trimestre subiu 7,9% em comparação com o mesmo período de 2009

No primeiro balanço após a capitalização, a Petrobrás teve lucro líquido de R$ 8,56 bilhões no terceiro trimestre deste ano, o que representa um crescimento de 7,88% em relação ao resultado do mesmo período de 2009. Na comparação com o segundo trimestre, a alta foi de 3%. O lucro líquido da estatal acumulado este ano somou R$ 24,588 bilhões em setembro, um crescimento de 9,8%.

O resultado foi atribuído pela estatal ao aumento do volume de vendas no mercado interno, que subiram 13% no período, e à alta dos preços do petróleo. Parte do resultado veio de ganhos com a variação cambial.

De acordo com o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobrás, Almir Guilherme Barbassa, a valorização de 6% do real no terceiro trimestre em relação ao segundo gerou ganho de R$ 1,4 bilhão. Com a queda do dólar, o custo de endividamento da empresa foi reduzido, beneficiando o resultado financeiro.

Os números divulgados ontem por Barbassa confirmaram expectativa de forte redução do nível de endividamento da companhia com a captação de R$ 120 bilhões no aumento de capital promovido em setembro. O índice de alavancagem ficou em 16%. No último balanço, antes da operação, o índice de alavancagem havia chegado a 34%, perto do limite de governança de 35%.

Capacidade recuperada. O indicador fortalece a companhia para cumprir o plano de investimentos de US$ 224 bilhões para o período de 2010 a 2014 e recupera a capacidade da estatal para contrair novos empréstimos.

Tirando da conta a oferta pública de ações, informou Barbassa, a Petrobrás já captou este ano cerca de US$ 13 bilhões. "Agora temos espaço para fazer as movimentações e captações que julgarmos necessárias", disse Barbassa. "A capitalização permitiu queda da alavancagem e com isso abrimos espaço para que continuássemos a investir no nosso plano."

A estatal investiu R$ 56,5 bilhões este ano, até setembro, 11% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Sobre o próximo plano de negócios, em elaboração, Barbassa adiantou que a empresa não investirá mais do que US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos nas áreas do pré-sal usadas na cessão onerosa que permitiu a capitalização.

O lucro líquido da Petrobrás no terceiro trimestre ficou abaixo do esperado pelos analistas de mercado, que previam cerca de R$ 9 bilhões.

A receita operacional líquida cresceu 17%, fruto da venda de maior volume de gás e de petróleo no mercado doméstico, informou Barbassa.

As vendas no País subiram 15,3% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. O lucro bruto alcançou R$ 19,64 bilhões no terceiro trimestre, pouco acima dos R$ 19,06 bilhões do mesmo período do ano passado.

Ações. Barbassa avaliou bem a recuperação da cotação das ações da Petrobrás após a queda que sucedeu o processo de capitalização. "Estamos já acima do valor de vendas das ações, tendendo a acompanhar o índice Bovespa."

Segundo o executivo, o crescimento dos custos em maior proporção, de 27%, deveu-se à alta do preço do óleo tipo brent importado e do pagamento maior de participações especiais. A Petrobrás também registrou aumento de 8,3% nos custos de extração, atingindo US$ 10,6 bilhões.

A produção total de óleo e gás natural somou 2,57 milhões de barris diários entre julho e setembro. O montante representa aumento de 1,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o indicador apresentou queda de 0,7%.

O aumento na produção total de janeiro a julho deste ano foi de 2%. Em setembro, foi atingido o recorde de produção de gás natural no Brasil: 53,7 mil metros cúbicos por dia.

O executivo disse que os seis sistemas de produção que entraram em operação entre o terceiro trimestre de 2009 e o terceiro trimestre deste ano contribuíram para aumentar em 185 mil barris por dia a produção nacional de petróleo e gás no País este ano. As seis unidades têm capacidade total para produzir 330 mil barris por dia e devem atingir este pico entre 2011 e 2012.

Para este ano, está prevista a entrada em operação da plataforma P-57 em Jubarte, com capacidade para produzir 180 mil barris por dia, e o Teste de Longa Duração (TLD) em Guará - com previsão para novembro - com capacidade de produção de 30 mil barris por dia.