Título: Líderes europeus garantem resgate em crise da Irlanda
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2010, Economia, p. B6
Ministros de Finanças da Espanha, Alemanha, Reino Unido, França e Itália divulgam declaração conjunta em Seul para acalmar mercados
As cinco principais economias europeias lançaram ontem uma mensagem de confiança aos mercados diante da tensão sobre a dívida soberana da Irlanda ao assegurar que, em caso de ser necessário um resgate, não seriam requeridos fundos privados.
Em declaração conjunta à margem da Cúpula do G-20 em Seul, os ministros de Finanças da Espanha, Alemanha, Reino Unido, França e Itália lembraram que a União Europeia (UE) conta um mecanismo de estabilidade financeira para evitar uma crise de dívida na eurozona.
O Fundo para a Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), aprovado este ano por causa da crise da dívida grega, é dotado de 750 bilhões e expira em 2013, embora os 27 já tenham acertado a necessidade de uma ferramenta permanente para enfrentar futuras crises.
"Seja qual for o debate dentro da zona do euro sobre como será no futuro o mecanismo permanente para a resolução de crise e a possibilidade que o setor privado participe dele, queremos deixar claro que não se aplicará a nenhuma dívida pendente nem a nenhum programa sob atual investimento", assinala a declaração conjunta.
Em entrevista coletiva ao término da cúpula, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, insistiu em que "a UE se dotou de um mecanismo de prevenção para estas situações de crise de dívida soberana, e cabe a esse país e às instituições do bloco, e em seu caso ao FMI, decidirem se deve ser aplicado mais uma vez".
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também aproveitou para insistir nessa mensagem e assegurou que um resgate "não sairia da estrutura já existente na UE". "O marco de estabilidade europeu existe e não será preciso o setor privado", ressaltou.
A mensagem das cinco grandes economias da Europa acontece no meio de uma crescente preocupação sobre a possibilidade de que a Irlanda tenha problemas para fazer o pagamento de sua dívida e possa solicitar a aplicação do Fundo.
Ontem, os mercados de dívida chegaram a fixar os juros dos bônus irlandeses a 10 anos em 9,26%, o que elevou seu diferencial com o bônus alemão de referência para 680 pontos básicos, números históricos e insustentáveis a curto prazo.
O ministro de Finanças da Irlanda, Brian Lenihan, afirmou que o país não solicitou um fundo de resgate da União Europeia. Ele disse estar convencido de que o programa de austeridade de quatro anos para o governo será aprovado.
"Nós não pedimos, ao contrário das especulações, para entrar em qualquer linha de crédito nem para usar qualquer linha de crédito", disse Lenihan em entrevista à rádio RTÉ. "Eu estou bem convencido de que o orçamento será aprovado e de que haverá total apoio político para o orçamento", afirmou o ministro.
O governo da Irlanda trabalha em um plano que pretende implementar 15 bilhões em cortes no orçamento nos próximos quatro anos - 6 bilhões em 2011 -, em um esforço para reduzir o déficit do país à meta da União Europeia de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014.
Os investidores estão preocupados com o plano, com o impacto que ele terá sobre as perspectivas de crescimento da economia irlandesa e com as dúvidas sobre se o governo conseguirá apoio político para aprová-lo.
Também a porta-voz da Comissão Europeia, Amelia Torres, desmentiu os rumores de que a Irlanda estaria negociando um pacote de resgate.
Na véspera, o presidente da comissão, José Manuel Durão Barroso, se apressou em anunciar que a UE está pronta a ajudar financeiramente a Irlanda.
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